30.3.2008
A missão de Deus
Gn. 12:1-9
O
meu sogro, Sr.Manoel, mudou-se há pouco mais de um ano para a cidade litorânea
de Bertioga.
Logo
que se estabeleceu, incentivado por uma das filhas, abriu as portas da sua casa
para receber uma reunião com alguns crentes que estavam sem igreja. O
presbitério de Guarujá tomou conhecimento, assumiu o trabalho, mandando para lá
um obreiro. Como havia um fundo missionário, o presbitério comprou um templo
desativado e o reformou. Em setembro do ano passado, a congregação foi
oficialmente inaugurada, com a presença e mensagem do presidente do Supremo
Concílio da IPB, Rev. Roberto Brasileiro. Hoje, conta com aproximadamente 40
pessoas, entre adultos e crianças. Esse grupo está feliz e motivado a ganhar o
povo de Bertioga para Cristo.
Missão
é isto.
É
bem verdade que não encontramos o termo missão na Bíblia. Talvez seja por falta
de uma definição bíblica, a razão das muitas crises da Igreja nesta área.
O
termo missão tem a sua origem no verbo “apostellein”,
que como substantivo dá origem ao termo “apóstolo”. Portanto, tal como um
apóstolo, missão tem o ver com a convocação e o envio que Deus faz de alguém
para este cumprir uma importante tarefa.
Assim
Deus tem feito ao longo da história.
O
texto lido é um exemplo do que acabamos de dizer. Abrão é o homem que Deus
escolhe para cumprir uma missão.
Aliás,
Abrão é um personagem importante quando o assunto é missão.
Aprendemos
com este texto que MISSÃO:
1. É uma tarefa que
nasce no coração de Deus e o glorifica
Gênesis
12 começa relatando a soberana intervenção de Deus.
“Disse o Senhor a Abrão”.
Deus
é quem toma a iniciativa. Dirige-se a Abrão e o convoca para uma missão que
mudaria radicalmente a sua vida.
Aliás,
Deus não só convocou Abrão, como milhares de outros homens e mulheres ao longo
da história, porque missão é algo que está em seu coração. O grande exemplo
desta verdade a humanidade testemunhou na encarnação do seu Filho – Jesus
Cristo. Deus o fez semelhante aos homens, para desenvolver uma missão que
dividiu a história e promoveu salvação à humanidade.
Jesus
é, pois, o grande missionário da história.
O
plano de salvação do homem, realizado por Jesus, é grande exemplo de um projeto
missionário bem sucedido.
O
Evangelho de João é claro, neste sentido: “No
princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele
estava no princípio com Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio
de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”
(Jo. 1:1, 2,14).
O
Pai enviou o seu Filho para realizar uma grande missão entre os homens.
Voltando
ao texto, Deus tem uma importante missão que envolve a sua vida, a sua família,
as suas atividades profissionais e assim por diante.
2. É uma tarefa que
requer fé total e incondicional a Deus
Deus
disse: “sai da tua terra, da tua
parentela e vai para a terra que eu te mostrarei”.
Não
é um desafio qualquer. Não é uma simples convocação. Há do ponto de vista
humano, muitos riscos quando não temos garantido o mínimo de certeza no sucesso
em qualquer empreendimento.
Se
vamos estabelecer uma loja, fazemos pesquisa de mercado, verificamos se o
produto que vamos comercializar será de fato comprado...
Em
geral, quando recebemos um convite para mudarmos de empresa, de atividade, de
cidade ou de país, nós nos cercamos de
todas as possíveis informações e garantias.
Mas,
quando Deus chama Abrão, não faz nada disto. Abrão não tinha garantias e
certezas nem mesmo sobre a cidade para onde ia morar.
Isto
requer fé.
A
melhor definição bíblica de fé, encontramos em Hebreus 11:1 “Fé é a certeza de cousas que se esperam, a
convicção de fatos que se não vêem”.
Esta
definição introduz uma lista, ou uma galeria de homens, chamados “heróis da
fé”, ou “exemplos de fé”.
É
claro que nessa galeria, não poderia faltar o nome de Abrão. No vs.8, temos: “Pela fé, Abraão, quando chamado,
obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem
saber aonde ia”.
É
evidente que a palavra fé traz muitas dificuldades, principalmente para as
pessoas que a confundem com uma auto-afirmação positiva.
Fé
segundo o apóstolo Paulo é algo que “vem
pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo”. (Rm.10:17).
Na
experiência de Abrão, vejam o seu testemunho de fé. Deus fala: “de ti farei uma
grande nação”.
Mais
adiante diz: “eu te farei fecundo extraordinariamente, de ti farei nações, e
reis procederão de ti”. (Gn.12:2;17:6). Essas promessas de Deus são feitas a um
homem já idoso e sem filho sequer. Isto é fé.
A
tarefa missionária é na verdade resultado direto da fé que a Igreja ou o
missionário tem nas promessas de Deus.
Um
teste definitivo da fé de Abrão ocorreu quando Deus pediu o seu filho Isaque em
holocausto.
Ora,
sacrificar crianças era a prática normal das religiões pagãs. Isaque era a
única chance de construir a sua descendência. Sem dizer que Isaque era o seu
único e querido filho, gerado na sua velhice.
Mas,
Deus testa a fé do velho Abrão e o pede em holocausto.
Então,
Abrão era um homem de fé. Dom essencial para alguém desenvolver a tarefa
missionária.
3. É uma tarefa que requer disponibilidade pessoal
O
texto diz no vs.4: “Partiu, pois, Abrão,
como lho ordenara o Senhor”.
É
evidente que a disponibilidade pessoal é resultado direto de uma postura de
total obediência. E obediência é uma
palavra muito complicada para o ser humano.
É
uma palavra que atravessa toda a revelação bíblica. De Gênesis a Apocalipse.
É
a palavra chave que quando é real e verdadeira na nossa relação com Deus, nos
leva às grandes conquistas e realizações.
Abrão
assume uma postura exatamente nesta direção: não discutiu com Deus as vantagens
pessoais que retornariam à sua vida e à sua família; não propôs alternativa,
mais conveniente.
Abrão
após ouvir a ordem de Deus começou a arrumar as suas malas, ordenou aos seus
empregados que alimentassem o gado, as ovelhas e os cavalos, porque a viagem
seria longa.
Eu
me lembro de um testemunho de certo missionário que girou o Mapa Mundi e
colocou o dedo para localizar um país. Investiu na sua preparação e se foi para
evangelizar o povo desse país. O resultado foi muito abençoador.
Deus
quer contar com homens que digam como o profeta Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is. 6:8).
Um
aspecto importante é que essa disponibilidade pessoal é para sair da chamada
“zona de conforto” para vencer as fronteiras.
Ronaldo
Lidório, jovem pastor presbiteriano, culto, pastor de uma grande Igreja em
Vitória, professor de Seminário, na época doutorando-se em antropologia,
recebeu um chamado para pregar o evangelho em Gana, interior da África. Deixou
tudo e, com a sua esposa Rossana, iniciou um trabalho que resultou na salvação do povo Kombomba.
Conta
em seu livro que precisou vencer diversas fronteiras para poder se comunicar e
viver diversos anos no meio daquele povo: fronteira lingüística, fronteira
cultural e fronteira espiritual.
A
Igreja não pode desenvolver-se como uma comunidade confortável, sem desafios e
sem alvos missionários. O crente que vive uma espécie de letargia e acomodação,
certamente se transforma numa pessoa domingueira, está sempre insatisfeito,
reclama de tudo.
Aliás,
Igreja conceitualmente, é definida como os “chamados para fora”. Formada pelos
que estão engajados, “envolvidos e comprometidos até a alma”, com o projeto
missionário de Deus.
Deus
nos convida a sair da nossa “zona de conforto”. Deus nos propõe desafios que
implicam em ultrapassarmos as fronteiras para assim assumirmos novos desafios
espirituais, ministeriais e missionários.
A
Igreja precisa compreender a sua tarefa missionária. E não há texto mais claro
que Atos dos Apóstolos 1:8
Ø A Igreja precisa do Poder de Deus para cumprir com
autoridade a sua tarefa missionária.
Ø A Igreja deve atuar, simultaneamente, em todos os níveis da
geografia do mundo.
Que
esta Igreja realize a sua tarefa missionária: Para glorificar o nome de Deus,
com fé e disponibilidade.
Que
cada membro dessa Igreja assuma a sua tarefa missionária, para que homens e
mulheres conheçam a Jesus, tanto aqui em Campinas, como no Brasil e no mundo.
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