15.3.2008

 

E o galo cantou!

Mt. 26:31-35; 69-75

 

Rev. Valdemar de Souza

Introdução

Apenas por curiosidade: Por que o galo canta ao amanhecer?

 

Para avisar logo cedo que ele é quem reina soberano no terreiro.

 

Por que antes de cantar, o galo bate três vezes as asas?

 

Para pegar um bom fôlego e o canto sair bem forte.

 

Por que ao cantar o galo fecha os seus olhos?

 

Para se concentrar e o canto sair bem afinado.

 

Por que em um terreiro, só permanece um galo?

 

Certamente, porque o rival seria expulso.

 

São curiosidades das pessoas em geral.

 

Mas, recentemente, aqui em Campinas, certo galo irritou com o seu canto toda a vizinhança de um bairro. Cantava cedo demais, cantava alto e era insistente. Já que a reclamação com o dono não resultou em um ensopado do galo, o caso foi parar na polícia, com repercussão nos jornais, como a Folha de São Paulo.

 

Deus usou diversos animais para compor a sua história de revelações aos homens: Por exemplo, uma mula, no marcante episódio de Balaão; corvos para sustentar o profeta Elias; um grande peixe, na história missionária de Jonas; um jumento para transportar Jesus na entrada triunfal em Jerusalém. Neste momento que antecede o grande sofrimento e a morte de Jesus, Deus usa o canto de um galo.

 

O texto fala do canto de um galo que ficou para a história.

 

1. E o galo cantou porque Deus se preocupa
com o homem independente do seu estado

Deus não desistiu de Pedro. A forma carinhosa com que Jesus cuida de Pedro é algo que nos chama a atenção. Jesus sabia que Pedro iria negá-lo e nem por isso o expulsou para fora do Colégio Apostólico; não deixou de conversar com ele. Nem mesmo ficou com a cara virada para ele. Ao contrário, Jesus o procurou para alertá-lo do seu ato lamentável.

 

O texto paralelo de Lucas confirma essa verdade, quando disse: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” (Lc. 23:31-32).

 

Assim também, Deus é quem toma a iniciativa de abordar o homem e convencê-lo a andar nos seus santos e retos caminhos.

 

Esta iniciativa tem marcado as suas intervenções desde o início da humanidade.

 

Lembro-me da experiência de Deus com Moisés na sarça ardente. Deus atraiu Moisés promovendo uma maravilha: uma sarça que queimava e não se consumia. Depois de atraí-lo, começou com ele um diálogo para transformá-lo no grande libertador do povo hebreu do cativeiro egípcio.

 

O homem não reúne condições morais e espirituais para procurar Deus. É necessário que

Deus o procure, convença-o do seu estado e o abençoe com a salvação.

 

Deus poderia reprovar e abandonar Pedro. Quem sabe descartá-lo. Mas, providencia o canto de certo galo. Pedro e todas as pessoas estão nos planos de Deus.

 

2. E o galo cantou, porque Deus
quer despertar a consciência de Pedro

Mais do que uma senha, o galo cantou para despertar a consciência de Pedro sobre o pecado cometido. “Desperta o tu que dormes...”

 

No seu propósito de despertar, acordar as pessoas, Deus pode se utilizar dos meios mais criativos.

 

Lembram-se do episódio da mula de Balaão? Pois bem, Deus desejando impedir Balaão seguir um determinado caminho, enviou um anjo que se colocou à frente da sua mula. O animal se desviou para uma plantação de uvas. Balaão bateu na mula. O anjo empurrou a mula para um muro que prensou o pé de Balaão. Balaão bateu na mula. Chegou a um lugar onde não havia passagem e a mula deitou no caminho. Balaão bateu na mula. Até que o anjo se revelou a Balaão e disse “o teu caminho é perverso diante de mim”. A reação de Balaão foi imediata: “Pequei, porque não soube estavas neste caminho para te opores a mim. Agora, se parece mal aos teus olhos, voltarei”. O anjo dá permissão para ele seguir a viagem com outros homens, mas que apenas abra a sua boca para dizer o que Deus quiser (Nm. 22:32-35).

 

O resultado dessa obra de conscientização divina resultou em um novo posicionamento de Balaão diante de Deus e do povo. Os capítulos seguintes são destinados ao registro de que Balaão abençoou a Israel em três importantes momentos.

 

O pecado nos nossos dias enfrenta um grave problema conceitual.

 

Para muitos o pecado é algo inventado e que apenas está na cabeça das pessoas. Para essas pessoas o pecado não tem o peso moral, a gravidade moral que a Bíblia atribui.  O pecado tem assumido uma conotação social. Por exemplo: sonegar impostos não é pecado, mas desempregar alguém sim.

 

Irmãos e irmãs, a Bíblia nos ensina que pecar é “errar o alvo” estabelecido por Deus para as nossas vidas. Pecado tem nome e tem o peso de um delito, um crime cometido que, além de ofender a justiça e a santidade de Deus, nos coloca bem longe da sua presença.

 

Há também em relação ao pecado, dois extremos perigosos:


a) Por um  lado, temos o legalismo. O legalismo tem uma proposta escravizante, castradora e que não abre espaço para o raciocínio e o posicionamento consciente. Há comunidades que definem leis para usos e costumes. Essas leis determinam, por exemplo, a medida da saia que as irmãs devem usar; o tamanho do cabelo ideal e assim por diante. São mandamentos criados por essas comunidades como padrão de conduta e de santidade.

 

b) Por outro lado temos o liberalismo que propõe uma conduta onde tudo pode. O crente liberal faz uma leitura muito equivocada da Bíblia, onde procura privilegiar uma liberdade que chega a ser irresponsável.  

 

Voltando ao texto, o galo cantou porque Deus quis tocar à consciência de Pedro.

 

A Bíblia nos ensina que Pedro depois de acordado por Deus, chorou amargamente. Ou seja, arrependeu-se completamente de tudo o que fez.

 

João Calvino disse: “A consciência do pecado já é obra da graça de Deus”.

 

3. E o o galo cantou, porque a proposta de Deus
 objetiva a definição de um caráter cristão aprovado


Tocar à consciência de Pedro foi a primeira e mais importante obra de Deus. Como disse,

Deus tinha grandes planos para a sua vida e apostolado. E, para que isto acontecesse, uma conversão profunda e definitiva era essencial.

 

O galo cantou, porque a proposta de Deus objetivou a definição de um caráter aprovado.   

 

Um do textos bíblicos mais educativos no que diz respeito ao caráter cristão é o de Gálatas 5:22-23.

 

Paulo apresenta o fruto do Espírito Santo. Nesse fruto há nove gomos, ou virtudes imprescindíveis. Essas nove virtudes estão divididas em três grupos: amor, alegria e paz, na relação com Deus; longanimidade, benignidade e bondade, na relação consigo mesmo e fidelidade, mansidão e domínio próprio, na relação com o próximo.

 

São virtudes que o Espírito Santo, através da sua graça, compartilha conosco.

 

Paulo, falando sobre o caráter do cristão, escreve outro texto muito importante que a Bíblia define como “Os gloriosos benefícios da graça salvadora de Cristo”. O texto é Tt.2:11-12.

 

Paulo diz que a graça realiza três grandes obras no ser humano:

 

a) A graça é salvadora.

 

b) A graça é educadora.

 

c) A graça gera esperança.

 

Quero destacar o vs.12, que diz: ”educando-nos, para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente”.

 

O verbo educar sugere uma transformação diária, uma construção constante do caráter de Cristo no cristão. 

 

Só assim, o cristão vencerá as paixões mundanas e viver de maneira sensata, justa e piedosamente.

 

Pedro era um homem simples, era inconstante e impulsivo. Pedro era um pecador como um de nós. Pedro precisava de uma intervenção divina para superar os seus defeitos pessoais.

 

Deus fez esta obra.

 

O galo cantou porque Deus quis um novo Pedro no apostolado.

 

Conclusão

 

O galo continua a cantar ao longo da história para acordar homens e mulheres.

 

O Espírito Santo continua a sua obra, tocando as nossas consciências com graça e poder.

 

O seu objetivo é sempre o de transformar o nosso caráter, semelhante ao de Cristo.

 

Pare e ouça a voz do Senhor. Há algo importante que você precisa ouvir.

 

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