9.11.2008
Q U A S E !
Reverendo Valdemar de Souza
Introdução
O Brasil parou no último domingo para assistir a emocionante
corrida de Fórmula 1. Nela seria decidido quem seria o campeão mundial de 2008.
Há menos de 500 metros da bandeirada final, o brasileiro Felipe Massa era dado
como campeão mundial. Mas, houve uma ultrapassagem do piloto inglês Lewis
Hamilton sobre um alemão e assim foi declarado o campeão.
Ficamos no ah...! O Felipe Massa quase foi campeão.
Mas, será que experiências semelhantes não aconteceram com
outras pessoas, em outras áreas da vida? É claro de sim.
Muitos quase passaram no vestibular de medicina. Muitos
quase foram admitidos em uma grande empresa. Muitos quase morreram e
sobreviveram e assim por diante.
“Quase” é um advérbio que significa: “perto,
aproximadamente, por pouco, por um triz”.
Muito bem. O texto que temos para o nosso ensino nesta noite
nos mostra que “quase” algumas coisas importantes e definitivas aconteceram com
dois homens que entraram na cena da crucificação de Jesus.
O cenário é muitíssimo conhecido de todos nós. Dois ladrões,
homens perigosos, foram julgados e condenados à morte. A crucificação era uma
pena de morte considerada terrível. O condenado poderia permanecer diversas horas,
exposto, em completa agonia. As suas pernas eram quebradas, visando abreviar o
momento da sua morte.
No dia da crucificação do Senhor Jesus, as autoridades
judiciais aplicaram a mesma pena de morte a dois ladrões. Um ficou à sua
direita e outro à sua esquerda.
A presença de Jesus sempre provocava nas pessoas um grande
impacto e uma decisão importante. Ou se tornavam suas seguidoras fiéis, ou
então, ferrenhas perseguidoras. As pessoas não ficavam as mesmas depois do
encontro com Jesus Cristo.
E é exatamente isto o que ocorre neste contexto. Os três
travam um diálogo, no exato momento da crucificação, no momento extremo da vida.
A primeira lição que este episódio impressionante nos dá é
que um desses ladrões esteve:
1. TÃO PERTO DE JESUS,
MAS TÃO LONGE DO CÉU
O ladrão que permanecia de coração endurecido, estava na
presença de Jesus. Pode presenciar o seu sacrifício e ouvir frases ditas por
Jesus, ali, bem pertinho, tais como: “Pai,
perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Teve a oportunidade de se
dirigir ao Senhor Jesus. Esteve tão perto, mas não aproveitou a oportunidade
para se entregar ao Salvador.
Os cristãos, na sua maioria, tiveram e tem o conhecimento da
pessoa apenas através do Evangelho. Esse homem não. Viu Jesus face a face. No
entanto, preferiu insultá-lo, entregar a sua vida ao diabo e fazer a opção do inferno.
Quase foi para o céu.
Muitos hoje também ficam no “quase”. São religiosos, freqüentam
uma Igreja, lêem a Bíblia, mesmo que esporadicamente, ajudam as pessoas menos
favorecidas e produzem boas obras. Até se parecem com aqueles que caminham para
o céu, no entanto, os seus olhos estão fixos no mundo. São dirigidos pelos
interesses materiais.
No filme apresentado ontem, como parte do projeto “Minha
Esperança Brasil”, John, o personagem principal, é um homem de bons princípios
morais, é trabalhador e tem uma boa família. Quando o seu filho está internado
e corre o risco de morte, toma a decisão de ir à capela. Lá ele se ajoelha e
tenta conversar com Deus. Mas, o filme
nos passa a certeza de que esse homem não conhece Deus e não tem a certeza da
sua salvação. A sua vida acontece dentro de uma visão meramente humana. Tudo
tem que acontecer visando atender os seus interesses pessoais e familiares. Tinha
virtudes de um salvo, mas não era.
Outro ponto importante diz respeito às pessoas que caminham por
muito tempo com os cristãos e até praticando alguns princípios da Bíblia, mas
ao final revelaram-se incrédulas.
O apóstolo Paulo teve um discípulo chamado Demas. Nas cartas
aos Colossenses e a Filemom Paulo envia saudações em seu nome, chamando-o de “meu
cooperador”. Mais tarde, no entanto, Demas, infelizmente, abandona a Paulo e à
carreira cristã, e, com certeza, com muita tristeza, registrou: “Porque Demas, tendo amado presente século,
me abandonou e se foi para Tessalônica” (II Tm. 4:9).
Quase no céu. Quase na eternidade com Deus. Tão perto do céu, mas deu meia
volta, preferindo as paixões e os projetos humanos.
Ignorou o que Jesus disse: “Não acumuleis
para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e
onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu,
onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque
onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt. 6:19-21).
O ladrão, crucificado ao lado de Jesus esteve também tão
perto de Jesus e, ao mesmo tempo, tão longe do céu.
Mas, este maravilhoso episódio nos mostra que o outro ladrão
esteve:
2. TÃO PERTO DO
INFERNO, MAS
MILAGROSAMENTE SALVO PARA O CÉU
Esse outro homem quase foi para o inferno.
A história desse homem era semelhante a do outro. Era alguém
condenável, de atitudes reprováveis. Mas, no último instante de sua vida, no
momento da sua morte, teve o maravilhoso privilégio do encontro com o Rei dos
Reis, o Senhor dos Senhores – o Senhor Jesus e respondeu positivamente.
Ele estava, por certo, a um passo do inferno. Tudo caminhava
para um desfecho trágico.
A forma como ele se comporta e reage nos chama a atenção.
Ele não entrou na onda do outro ladrão. Em vez de blasfemar e insultar a Jesus,
tomou uma atitude contrária:
Ø Repreendeu ou outro ladrão “Nem ao menos temes a Deus estando sob igual
sentença?
Ø Reconheceu-se pecador ou
transgressor da lei, ao mesmo tempo em que se declarou digno daquela condenação
“Nós, na verdade, com justiça, porque
recebemos o castigo que os nossos atos merecem”;
Ø Declarou ao outro ladrão e na
presença de todos os que ali estavam: “Este nenhum mal fez”.
Ø Por último, faz um importante pedido a Jesus sobre a sua vida na
eternidade: “Lembra-te de mim quando
vieres no teu reino”.
Esse homem quase foi para o inferno, mas, uma vez conscientizado,
aproveitou a presença de Jesus e fez a entrega total e definitiva da sua vida.
O livro de Atos dos Apóstolos registra o testemunho de vida
de um coxo, o qual permaneceu anos a fio à porta Formosa do templo. Naquele
lugar via as pessoas entrarem e saírem do templo. Certamente, as pessoas
entravam ansiosas por Deus e saíam felizes e cheias de esperança e vida. No
entanto, ele mesmo ali permanecia para pedir esmolas. Quem sabe jamais tenha
entrado para cultuar a Deus. Tão perto de Deus e ao mesmo tempo tão longe da
graça que salva, santifica e torna a vida cheia de sentido e significado. Até
que um dia, bem na hora do povo entrar para o momento da oração, viu os
apóstolos Pedro e João entrarem no templo e os abordou pedindo-lhes uma esmola.
Os apóstolos disseram: “olha para nós”.
Pedro disse: “não tenho prata e nem ouro,
mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!”.
O coxo foi imediatamente curado e a sua primeira decisão foi entrar no templo,
saltando e louvando a Deus.
Agora esse homem assumiu uma nova postura e uma nova vida.
O condenado à morte que se arrependeu e se entregou a Jesus,
disse: “lembra-te de mim”, em outras
palavras: “tenha misericórdia da minha vida tão distante do Senhor; toma a
minha vida nas tuas mãos e salva-a; eu
quero passar a eternidade com o Senhor”.
3. TÃO DIVINO COMO DEUS
E
TÃO HUMANO PARA NOS SALVAR
Quem está ao lado desses ladrões? Quem está dialogando com
esses criminosos?
Para os religiosos, os políticos, as autoridades e, para o
público em geral que assistia aquela cena, Jesus ali na cruz não passava de
mais um condenado.
Alguém que pregou e viveu uma filosofia de vida que destoava
das regras sociais e religiosas daquela sociedade, por isso foi punido com a
morte.
No entanto, ali está o Filho de Deus. Encarnado para se
identificar com o homem para assim ensiná-lo e por ele morrer.
Deus desce à terra através de Jesus para salvar o homem da
condenação eterna.
A Palavra nos assegura que a morte de Jesus na cruz do
Calvário cumpriu o pacto estabelecido pelo Pai desde os tempos eternos. A sua
morte satisfez a justiça de Deus para a salvação do homem.
Jesus pagou um altíssimo preço pela nossa redenção.
O apóstolo Paulo deixa muito claro a mensagem da redenção,
quando disse:
“Porquanto, assim como
por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também
a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram...por meio da obediência
de um só, muitos se tornaram justos” (Rm.5:12-19b).
E tudo aconteceu como resultado do grande amor de Deus pela
criatura humana. “Porque Deus amou o
mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele
crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao
mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele”
(Jo.3:16-17)
Perto de onde você está? Você é quase salvo?
Está esperando os seus últimos momentos de vida para então
tomar a grande decisão de confessar Jesus como seu Senhor e Salvador?
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Sermão pregado no culto noturno de 9 de novembro de 2008
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