7.9.2008


Um peregrino chama a atenção do mundo
 
Reverendo Edinilson (Edy) Mariano

 

       Muitas pessoas pensam que suas vidas, relacionamentos e o próprio mundo não         tem mais jeito.  Estão desanimadas, frustradas... Estampam um sorriso no rosto, mas a sua alma é triste e sua mente confusa, tudo isso acompanha aqueles que perderam a esperança. São pessoas sem crença, sem fé e vazias porque não podem ver além. Milhares vivem hoje sem esperança.

 

Quadro Esperança.

 

 

Há um quadro notável de um pintor chamado Frederick Watts. O quadro chama-se Esperança. Watts pintou uma mulher de semblante triste e desanimado, assentada no alto do globo terrestre. As costas estão curvadas como se carregasse um fardo insustentável. O olhar de desespero estampa-se em seu rosto. Numa das mãos da mulher, Watts pinta uma lira. Mas há um detalhe nesse instrumento que o pintor deseja ressaltar: todas as cordas estão quebradas menos uma. Quando alguém contempla esse quadro, logo se pergunta: “por que Watts o chamou Esperança e não Desespero?” Entretanto, logo descobre que a resposta está na única corda da lira que não se quebrou.

 

AINDA HÁ UMA CORDA QUE NÃO SE QUEBROU NA SUA VIDA!

 

I Pedro 1:1,2, 3, "Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas."


A carta de I Pedro foi dirigida a todas as pessoas que dizem crer e seguir Jesus Cristo, não importa qual seja a sua herança física. Agora já não há judeu e gentio, mas somos todos peregrinos e vivemos dispersos no mundo.

 

As bênçãos de I Pedro 1:2-4 se aplicam aos crentes de todas as nacionalidades. Eles são escolhidos, pessoas que o Pai soberanamente escolheu e que são objeto de Seus cuidados (I Pedro 5:7, II Pedro 2:9), mesmo no meio do sofrimento. A primeira carta de Pedro é um dos livros que mais encontramos as palavras “sofrimento” e “sofrer”. De fato a situação era difícil para aqueles crentes agora apátridos e vivendo no meio de um mundo hostil, que questionava a fé daqueles crentes. È neste contexto de grande incerteza, medo, perseguição e dificuldade que o apóstolo convida seus ouvintes para que tenham uma viva esperança no tempo presente. Mas como manter uma viva esperança diante de tanta dificuldade? Talvez essa seja a sua pergunta hoje também.

 

Eles deveriam, em primeiro lugar, lembrar da sua regeneração.



1.1. Eles eram regenerados

 

Pedro estabelece o fundamento da salvação na provisão tripla da eleição de Deus, na santificação do Espírito e no derramamento do sangue    de Cristo. Pedro indica que não é uma coisa que simplesmente acontece, mas é obra da misericórdia de Deus.

 

É nessa ação tripla de Deus que acontece a regeneração, ou seja, nascer de novo. Este novo nascimento é essencial para que alguém possa se intitular cristão.

 

Por que isso é importante ser lembrado aos leitores da carta?

 

Pelo simples fato que se não crermos na trindade como participante na salvação, não existe salvação. Pode até existir um convencimento, mas na hora do aperto quem não é convertido se convence deste fato e se afasta.

 

·                    João nas suas cartas deixa claro este fato quando diz: “Estavam no nosso meio, mas não era um de nós...”

 

·                    O autor de Hebreus também nos ensina que uma pessoa pode até ter tido um envolvimento com o povo de Deus, com o mover do Espírito, saber sobre o poder das coisas vindouras, mas ainda assim não ser uma nova criatura.

 

Ilust. Concílios da igreja.

 

Nós temos que agradecer pelos vários concílios da igreja. Se eles não tivessem existido todos nós hoje seríamos de uma forma ou de outra, testemunhas de Jeová.

 

O teste da regeneração:

 

Parece que Pedro nos seus comentários nos dá algumas pistas para avaliarmos a nossa regeneração. Gastemos um pouquinho do nosso tempo vendo pelo menos dois fatos importantes. Devemos ter dois desejos ardentes nos nossos corações que provam nossa regeneração.

 

·        Amor ARDENTE pelos irmãos. 1.22

 

O amor fervoroso do crente resulta do esforço purificador do crente, quando ele obedece à verdade, sendo movido pelo Espírito Santo. É um amor que vem da alma e não da conveniência. O amor ardente deve ser a ambição do crente em servir ao próximo.

 

·        Amor ARDENTE pela palavra de Deus. 2.1,2

 

Vamos lá! Qual tem sido o seu desejo pela Palavra de Deus? Você consegue ler de tudo. Ter interesse por todas as literaturas. Gasta tempo assistindo a novela das seis horas, das sete, das nove e ainda tem tempo de assistir o Vale a Pena Ver de Novo. Alguns pessoas conseguem acompanhar simultaneamente as novelas da Globo, SBT e Record. Mas a Bíblia... Não li, não leio, não tenho vontade de ler... Hum! PROBLEMA!

 

 

Se você apenas finge tudo, se continua sem conseguir amar aquela pessoa que você já não amava há três anos. Se você não sente falta da Palavra de Deus, provavelmente você não foi regenerado, (I PE. 1. 23.) Você pode ser alguém que está no meio, mas não é do meio; Você gosta de tudo que acontece no meio, mas nada acontece no seu meio, ou melhor, no seu coração. Ou seja, você é um ator. Você vive fingindo que é alguém novo, mas na verdade você é apenas uma cópia.

 

Mas por que é importante Pedro falar aos seus leitores sobre regeneração?

 

É que se de fato somos regenerados, então a nossa postura na terra diante do sofrimento deve ser outra.

 

A regeneração não é o fim da salvação, mas apenas o começo. Pedro diz que somos regenerados para alguma coisa. A regeneração não nos torna apenas pessoas novas e ponto. Deus teve um propósito para isso. Nós fomos Regenerados para possuirmos uma esperança viva. Logo, ter esperança é uma obrigação para o regenerado, não uma opção.

 

Então, como podemos ter uma Viva esperança?

 

1.2 Viva esperança.

Existe um ditado popular que diz que a esperança é a última que morre. Contudo, por outro lado temos na Bíblia que: “O Justo ainda morrendo tem esperança”. Pr 14:32. O Apóstolo Paulo diz que a falta de esperança é característica de quem não tem Deus.

O profeta Zacarias no cap. 9.12 fala que nós, povo do Senhor, somos um povo escravo da esperança.

 

Os salmos estão repletos de versículos que falam sobre esperança.

 

A esperança é algo que todo o homem indiscriminadamente procura, mas para nós filhos de Deus ela está disponível.

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Muitos filhos de Deus quando estão passando por longos períodos de provação dizem: “Acho que estou sem fé”!

Mas a verdade é que eles estão sem esperança.

A fé não funciona sem a esperança.

 

Não é sem razão que o autor de Hebreus nos ensina: “A Fé é a certeza daquilo que se espera (...)” (Hebreus 11.1).

Quando perdemos a esperança a nossa fé fica sem destino.

CUIDADO!

A viva esperança não pode ser confundida com pensamento positivo, desejo ou aspirações.

Muitos dizem: Eu gostaria de ter, receber, ficar, mudar isso e aquilo, mas o que de fato estão dizendo é: “Bem que eu gostaria, mas sei que não vai acontecer”.

Mas, a esperança viva está baseada na aliança que o Deus que não pode se arrepender e nem mentir fez conosco. É uma postura firme e sobrenatural alicerçada nas promessas e princípios da Palavra de Deus e que vai criando uma imagem clara daquilo que Deus prometeu e que pode se cumprir na nossa vida. Quando você tem esperança, você então vive em uma expectativa sobrenatural em relação àquilo que Deus prometeu a você. Sei que pode acontecer, por isso, eu espero!

 

Lamentações. 3.21 diz: “Quero trazer a memória aquilo...”.

 

Apesar de ser algo que está disponível para os filhos de Deus, a viva esperança deve ser desenvolvida por cada um de nós.

 

“O desespero é a essência do inferno” (A Divina Comédia).

 

ILUST.

Victor Frankl, que sofreu na pele as agruras do campo de concentração, descobriu ali algo que depois se tornou muito importante em seu trabalho profissional, na condição de psiquiatra: que os judeus que nutriam alguma esperança de liberdade sobreviviam. Quem não tinha esperança não agüentava o sofrimento. A constatação de Victor só faz evidenciar a verdade de um pensamento que diz: "O homem pode viver até 40 dias sem comida, 3 dias sem água, 8 minutos sem ar, mas apenas 1 segundo    sem esperança".

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 Se o homem não pode viver sem esperança, onde deve buscar a esperança?

 

Pedro nos responde que nós fomos regenerados para uma viva esperança. E está esperança está alicerçada na ressurreição de Cristo.

 

É a esperança que nos move. Foi à esperança que moveu a mulher hemorrágica, foi à esperança que levou o cego Bartimeu a busca a cura. Foi a esperança que levou o oficial buscar cura para o filho...

 

“Quando a esperança é perdida a fé fica sem alvo, fica sem missão a cumprir, atira para todos os lados”.

 

Tem muito crente desesperado.

Alguns pela angustia da alma, assim como Maria Madalena, mesmo diante de Cristo não consegue enxergá-lo; outros pelos sonhos frustrados, como os discípulos no caminho de Emaús mesmo caminhando com Jesus, não O reconhecem... A falta de esperança faz com que agente não enxergue que o Senhor está a nossa frente e que caminha conosco.

 

 

Nós fomos regenerados para ter uma viva esperança

 

Como crentes somos obrigados a ser um povo que transborda de esperança. Eu tenho que ter esperança em tudo. Por que posso e devo ter esperança? Pedro responde. Por causa da ressurreição de Cristo.

 

·        Sabemos que a ressurreição de Cristo mudou a história da humanidade. Pelos evangelhos aprendemos que a ressurreição é a garantia que temos que Deus pai aceitou o sacrifício de Cristo pelos nossos pecados. Até aquele momento nenhum cordeiro havia voltado para dizer nada sobre o assunto. Hoje, por causa de Cristo, não precisamos nem de sacrifícios e nem de coisas para ser aceito por Deus.

 

·        Sabemos também pelo Apóstolo Paulo que a ressurreição (I co. 15. 17-19) é importante por três motivos. Paulo traduz esses motivos usando três argumentos: 1. Teológico (Somos prisioneiros do pecado), 2. Emocional (Vamos perecer) 3. Filosófica (Perdemos a razão de viver).

 

Mas o que a ressurreição significou pra Pedro?

Afinal de contas não é sem propósito que Ele afirma que sua viva esperança estava baseada no Cristo ressurreto.

 

Enquanto Jesus estava vivo, Pedro era um homem cheio de fé, de convicções, motivado a cortar a orelha dos outros, valentão e cheio de palavras de Ordem. Mas a prisão e crucificação de Jesus mudaram completamente este quadro. E Pedro se tornou uma das pessoas mais sem esperança da terra. É certo que todos os seguidores de Cristo viveram sem esperança, mas Pedro exemplifica bem este grupo.

 

A fé de Pedro acabou porque lhe faltava esperança.

 

A ressurreição de Jesus era importantíssima para Pedro não só em termos eternos, mas muito mais de forma prática. Com certeza Pedro não estava naquele momento pensando na sua salvação, não estava pensando que agora todo mundo ia ver que aquilo que ele tinha falado antes de se desviar era verdade. Não! Pedro estava extasiado com a simples verdade de que a sua esperança estava sendo renovada, porque Jesus não o havia rejeitado.

 

“O que eu merecia era o desprezo, a disciplina e condenação”, dizia Pedro. E o que recebo é MISERICÓDIA!

 

Durante muito tempo Pedro teve uma viva esperança nele mesmo. Na sua confissão, na sua decisão... A ressurreição para Pedro naquele momento era como se Jesus estivesse dizendo: Não tenha esperança viva em você. Tenha esperança em mim. Eu não te rejeitei!

 

Não é sem razão que Pedro usa a expressão: “Bendito Seja” e “Grande misericórdia” no verso 3.

 

Era mais ou menos isso o que Pedro queria dizer: O que eu merecia foi grandemente retido pelo Senhor.

 

A ressurreição de Jesus na vida de Pedro, naquele momento, ganhou um valor muito mais pessoal do que teológico. O que adiante saber que você vai para o céu, se você vive em um inferno emocional e com culpa na terra?

 

A ressurreição de Cristo surpreendeu a Pedro e a todos nós pelo simples fato de que Jesus nos trata não segundo nossos pecados, mas com bondade e misericórdia.

 

 

Vocês imaginam o que aconteceu na vida de Pedro? Uma revolução.

 

As vestes de tristezas, de luto emocional, de vergonha, foram trocadas pelas palavras de “ESPERANÇA VIVA” ditas por Jesus.

 

Nesta noite Deus também quer restaurar a tua fé, fazendo com que você renove a sua esperança por você mesmo. Você tem jeito. Seu pecado tem perdão. Deus quer conversar nesta noite com você; ele não vai te abandonar e muito menos te rejeitou. Ele quer ser misericordioso com você. Mesmo que o maligno diga “não tem jeito”! Jesus diz: Eu intercedi por ti!

 

Para se ter uma viva esperança não depende do que você fez, mas do que Jesus fez e faz! Ele nos regenerou para uma viva esperança. E antes de poder ter esperança nas pessoas e situações eu tenho que ter viva esperança que eu tenho Jeito. Que as pessoas têm Jeito. Que meu pecado por mais vil que seja, tem perdão.

 

O impossível em mim se torna possível porque Cristo ressuscitou! Era nesta perspectiva também que Pedro enxergava a ressurreição de Cristo. Não tanto de forma teológica, mas de uma maneira mais íntima, mais presente, mais prática.

 

Nesta noite você também gostaria de renovar sua viva esperança trazendo a memória simplesmente à lembrança de que Cristo ressuscitou e Ele já pagou o preço pelo seu pecado, independente qual tenha sido, ou seja, o seu pecado?

 

ESPERANÇA e CONFIANÇA

Da mesma forma que a fé precisa da esperança para se ter missão a esperança precisa da confiança para se ter ação concreta.

A relevância da viva esperança está no fato de fazer a diferença na forma como enfrentamos as diversas situações da vida cotidiana, visto que a viva esperança tranqüiliza o coração ansioso. O conceito de esperança vai sendo ampliado quando se analisa seu valor, tanto no Antigo quanto no     Novo Testamento.

          No prisma V.T. e do N.T., a esperança está extremamente ligada à confiança e, com base nesta confiança, Israel podia dizer: “Senhor, tu és minha esperança”. Israel confiava em Deus, portanto, tinha esperança, crendo na sua fidelidade para com a aliança, pois, quando não se tem confiança, não há esperança. A confiança leva os israelitas a esperarem pelo nome de Adonai, pela salvação, pelo perdão, pelas conquistas, enfim, leva o povo a esperar por uma ação divina e a base dessa espera está no pacto.

Ilust. Saul e o sacrifício.

Portanto, para Israel, Deus não era apenas o objeto de sua esperança, mas também a realização e a própria segurança e garantia de que aquilo que se espera se concretizará, visto que Deus é fiel e zela pela sua palavra.


          Diante disso, conclui-se que a viva esperança é uma espera responsável e não implica em inatividade, pelo contrario, é uma espera que impulsiona que tira da inércia e que motiva. A esperança revela o grau da confiança que se tem em Deus, como também as expectativas dEle, pois não basta se dizer que tem esperança, tem de haver atitudes que provam que realmente há uma viva esperança.


          Aquele que tem uma viva esperança não permite que suas convicções cristãs sejam abaladas pelas circunstancias da vida presente. Portanto, não deixa sua esperança morrer.

Pq. temos pouca esperança?

Pq. colocamos aquilo que temos de melhor, nossa confiança, no local errado.

Corinthias... Palmeiras... Seleção... Depositamos o que temos de melhor nas pessoas, coisas e situações...

Princípio: “Deus não me fez para ficar sozinho”. Aí começamos a namorar. O que acontece? Depositamos a confiança no nosso amor. Aí o que acontece? O amor acaba; e aí o que acontece? Depressão! Ressentimento com Deus. Ta tudo errado! A minha confiança esta no plano de Deus para minha vida, está confiança gera esperança viva que vou consegui uma pessoa que me ama e terei fé de obedecer ao que Deus me diz.

Confiança no plano de Deus me faz ter uma viva esperança, que revitaliza minha fé diante das situações mais caóticas.

É a esperança que nos move. Foi à esperança que moveu a mulher hemorrágica, foi à esperança que levou o cego Bartimeu a busca a cura. Foi à esperança que levou aquele oficial buscar cura para o filho... Foi a confiança que levou Daniel a não abrir mão do seu compromisso com Deus, foi a confiança que fez com José não enlouquecesse na prisão...

 

E é a penas pela confiança que alimenta a viva esperança que temos a fé que move montanha e destrói muralhas.

 

Quando a esperança é perdida a fé fica sem alvo, fica sem missão a cumprir, atira para todos os lados e assim confundimos esperança com desejo, pensamento positivo...

 

Deus não nos chamou para ter fé nos times de futebol, relacionamentos, trabalho... Mas nos planos de Deus. E era isso que Pedro também queria ensinar para os seus leitores. Quando esperamos nas promessas divinas, a nossa esperança nunca será envergonhada (Rm. 5.5).

 

Meu amado. Viva de esperança! Declare a sua esperança!

 

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Sermão pregado no culto noturno de 7 de setembro de 2008

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