6.7.2008
ENCORAJAMENTO
DIANTE DAS
DVERSIDADES
Jr.
29:1-14
Reverendo Valdemar de Souza
Introdução
O mundo celebrou nesta semana
a libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt e outros 14 reféns das mãos
das Farc. Ingrid permaneceu por seis anos nas mãos dos guerrilheiros criminosos.
O seu testemunho de alegria foi recheado de informações sobre o sofrimento pelo
qual passou. Disse: “fui tratada como um animal”.
Como deve ser difícil viver
uma experiência tão espinhosa e marcante como esta. Não foram seis dias ou seis
semanas, mas seis anos. Por muitas vezes desejou o fim da própria vida, para
acabar com o seu sofrimento.
O texto que acabamos de ler
do livro do profeta Jeremias, mostra-nos uma situação semelhante. Judá foi
invadida e dominada. Todo o povo foi levado cativo para a Babilônia onde
permaneceu por setenta anos.
Este texto é na verdade uma
carta de orientação e de encorajamento ao povo judeu no cativeiro. Deus então
usa o profeta para, uma forma imperativa, dizer:
1. Vivam de maneira a
fazer diferença na cidade
A terra e a casa que moravam
não eram suas. Não gozavam de liberdade, portanto, os seus sonhos e planos
passavam necessariamente pelos sonhos e planos dos que os dominaram.
Os comentaristas da Bíblia
afirmam que eles estavam desanimados, desolados. Quando nos roubam a liberdade
e o direito, convivemos inevitavelmente com sinais de depressão.
No entanto, a palavra de
Deus, através desta carta é no sentido oposto.
“Edificai casas e habitai nelas; plantai pomares e
comei do seu fruto. Tomai esposas e gerai filhos e filhas, tomai esposas para
vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos
aí e não vos diminuais” (vs.5,6).
A palavra de orientação e de
encorajamento para que vivessem uma vida normal, mesmo privados de tantos bens
essenciais.
O povo foi convocado a fazer
diferença naquele momento e situação de grande adversidade.
2. Não acreditem
nos falsos profetas
Nesse momento crítico por que
vivia o povo de Deus, surgiram os famosos profetas de plantão, com o propósito
de tirar proveito da situação.
Esses profetas, conforme a
carta de Jeremias, estão a serviço do engano, da mentira e da confusão.
O texto diz que esses
profetas sonham os sonhos das pessoas, ou seja, falam o que as pessoas querem
ouvir. Esses profetas se apresentam em
nome de Deus, dizendo ter a sua autoridade, mas são falsos.
Não caiam na armadilha do
inimigo.
3. Eu tenho um propósito
definido para a vida de vocês
A carta faz uma declaração ao
mesmo tempo convincente e consoladora. Deus diz: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor;
pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais”(vs.11).
Deus está em outras palavras
dizendo ao povo: “Fiquem tranqüilos e certos de uma coisa, eu tenho o absoluto
controle da situação”.
Sabemos que Deus permitiu tal
situação adversa para cumprir dois propósitos: corrigir o povo em vista da sua
desobediência e desvios morais e espirituais, também, para que através da
residência em outros países o nome do Senhor fosse divulgado.
4. Busquem-me de todo o vosso
coração para que mudanças aconteçam
O povo havia se esquecido do
Senhor. Segundo a conveniência, outros deuses tomaram o lugar de Deus na
espiritualidade do povo.
O tempo do cativeiro foi um
tempo de restauração nas relações do povo com Deus. A Palavra do Senhor é
objetiva: “Então me invocareis, passareis
a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes
de todo o vosso coração.
Serei achado de vós, diz o Senhor e farei mudar a
vossa sorte”(vs.12-14a).
Aplicação
O que fazer quando uma
situação gravíssima, irreversível, invade a nossa vida?
Que decisão tomar, quando
somos tomados por algo que foge
totalmente ao nosso controle? Devemos fugir? Devemos nos revoltar contra Deus?
Deus nos responde estas
perguntas através desta carta enviada aos exilados na Babilônia. Há palavras
importantes de encorajamento e de orientação sobre como devemos reagir frente
às situações mais adversas na vida.
Ø
Todos nós vivemos
como peregrinos em terra estranha. O
escritor da Carta aos Hebreus nos diz: “Não
temos aqui cidade permanente”(Hb.13:14). Ou seja, a nossa estada neste
mundo é temporária. Para muitos, um tempo menor que o povo permaneceu na
Babilônia. A vida neste mundo é descrita por Deus como uma neblina, um sopro,
uma sombra. O livro “Uma Vida com Propósitos”, de Rick Warren, nos ensina que
“a vida na terra é uma atribuição temporária”.
A vida na terra é uma habitação temporária em um país estrangeiro. Aqui
não é o nosso lar permanente nem o nosso destino final. A Bíblia usa termos
como forasteiro, peregrino, estrangeiro, estranho, visitante e viajante para
descrever a nossa breve estadia na terra. A esperança de vida eterna é muito
mais que uma promessa, é a garantia plena de que desfrutaremos na presença de
Deus.
Ø
Fomos salvos para
fazer diferença neste mundo. Há duas
afirmações importantes de Jesus neste sentido. Na oração sacerdotal Jesus
disse: “Pai, não peço que os tires do
mundo, e sim que os guardes do mal”(Jo.17:15). Ele nos quer neste mundo, para
que Ele seja conhecido através das nossas vidas.
Outra
afirmação é: “Vós sois a luz do mundo...
Não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e
alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos
homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está
nos céus”. (Mt.5:14-16). Assim como
o povo de Deus viveu por setenta anos no cativeiro da Babilônia para lá fazer
diferença, nós fomos salvos por Jesus para aqui produzirmos um testemunho convincente,
abençoador na vida das pessoas. Na última semana, uma senhora, membro de nossa
Igreja, disse-me que o seu ambiente de trabalho é um verdadeiro inferno. Lá, há
de tudo: ladrões, idólatras, gays, mulheres adúlteras, etc. Eu perguntei: Por
que você trabalha nesse lugar? A resposta foi: Porque eu pedi um emprego e Deus
me deu este. É lá que Ele está me usando. Essa consciência é fundamental para o
cristão. Ele não foi salvo para apenas viver entre os irmãos da Igreja, mas para
abençoar e mudar a história de outras pessoas.
Ø
Há um propósito eterno, definido por Deus,
para as nossas vidas. Ou seja, há um maior para a nossa existência neste
mundo. Não nascemos e nem vivemos por acaso, como fosse um acidente. Deus tem
algo excelente pra mim e pra você. A Palavra nos diz que Deus fez todas as
coisas para determinados fins. Deus disse: “Eu
sei...” Cabe-nos então descobrir a vontade de Deus e vivê-la.
Ø
Buscar o Senhor é ter
a certeza de profundas mudanças na vida.
O
mesmo Deus que falou àquele povo, que viveu como estrangeiro, é o que nos fala
nesta oportunidade. Devemos buscá-lo sinceramente, de todo o coração. Isto é,
devemos nos envolver intensa e completamente com Deus. O resultado não é outro
senão profundas mudanças em nossas vidas.
Conclusão
Você está enfrentando lutas
na sua peregrinação neste mundo? Não desanime. Viva a vida intensamente, de
acordo com a vontade do Senhor. Busque-O sinceramente em sua caminhada. Com
certeza ele também mudará a sua vida para melhor.
--Sermão pregado no culto vespertino de 6 de julho de 2008
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