Há alguns anos atrás,
J.B.Philips escreveu o livro: “O Seu Deus é Pequeno Demais”. O seu propósito foi
o de desfazer equívocos acerca da natureza e da pessoa de Deus.
Philips diz que para muitos,
Deus assume figuras imaginárias, próprias da sua cultura e quotidiano. Desta
forma, na cabeça de muitas pessoas, Deus pode ser uma espécie de policial, que
nos vigia e nos castiga quando erramos. Para muitos crentes, Deus é
Manso e Suave, que não se
irrita com os seus pecados e está sempre disposto a recebê-los e abençoá-los.
Rick Warren, no seu livro
“Uma Igreja com Propósitos”, diz que essas figuras imaginárias se transformam
em ídolos adorados e servidos, o que se constitui em pecado.
Quem é Deus para você?
Que lugar Deus ocupa na sua
vida?
Você já teve uma experiência
real com a presença de Deus em sua vida?
Êxodo 3 é um texto bíblico muito
especial, porque revela a pessoa e a natureza de Deus na sua essência. Mostra
como Deus pode mudar a história de um homem, convidando-lhe a estar em sua
presença.
Moisés, sem que pudesse
prever esse acontecimento, de repente vê-se vivencia uma das mais
impressionantes experiências sobrenaturais: a revelação da glória de Deus.
1 – A GLÓRIA DA PRESENÇA DE DEUS
Moisés cuidava rotineiramente
do seu rebanho e, ao levá-lo certo dia para o lado ocidental do deserto, chegou
ao monte Horebe.
Observou algo extraordinário,
fantástico: “apareceu o Anjo do Senhor
numa chama de fogo, no meio duma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia
no fogo e a sarça não se consumia. Então, disse consigo mesmo: Irei para lá e
verei essa grande maravilha; por que a sarça não se queima?”
Nesse momento, Deus se
manifesta a Moisés. E esta é a revelação da glória de Deus, dentro das
possibilidades humanas de compreender e assimilar.
Ø
Deus apresenta-se
pelo seu nome: Javé. Este nome
significa a sua auto-existência, o único ser real e a fonte de toda realidade.
O nome Javé identifica Deus como auto-suficiente, eterno, imutável em suas
promessas. O nome Javé é o mesmo que “Eu sou”. No original, esse verbo possui um
tempo indefinido, significando “eu era”, “eu sou” e “eu serei”.
Ø
Deus se manifesta em
sua glória, através dessa maravilhosa
manifestação. A glória de Javé revela a sua majestade, em seu poder, no brilho
da sua santidade. O Todo-Poderoso se manifesta no mundo limitado dos homens. O
“Santo, Santo, Santo” Deus se faz presente e dialoga com homem pecador. “Vendo o Senhor que Moisés se voltava para
ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse Moisés! Moisés!”
Ø
Deus condiciona o seu
diálogo com o homem. Disse a Moisés: “Não te chegues para cá; tira as sandálias
dos seus porque este lugar em que está é terra santa” Deus quis dizer:
Moisés, não se aproxime muito perto, porque a minha glória poderá te destruir; chega
para cá, para este lugar, sem as tuas sandálias, ou seja, os seus conceitos e
preconceitos, sem os teus valores pessoais, sem as experiências contabilizadas
em sua vida, as quais contam como grandes conquistas existenciais. Venha sem a
proteção que você conquistou para se apoiar e andar. Venha sem as suas
sandálias.
A glória de Deus, de forma
plena e absoluta, não é algo que o homem possa suportar. Bem mais tarde, Moisés
disse: “Rogo-te que me mostra a tua glória. Porém ele disse: eu farei passar
toda a minha bondade por diante de ti, e apregoarei o nome do Senhor diante de
ti (...) não poderás ver a minha face, porquanto homem verá a minha face, e
viverá (...) me verás pelas costas: mas a minha face não se verá” (Ex.33:18-23).
Todavia, Deus toma a
iniciativa e se deixa conhecer, numa experiência que os teólogos chamam de teofania, ou seja, a revelação pessoal
de Deus ao homem.
Nessa revelação da sua glória
a Moisés, Deus define um santo propósito.
2 – A GLÓRIA DA PRESENÇA DE DEUS TRANSFORMA A VIDA DE MOISÉS
Quem era Moisés? Qual a sua história?
Moisés era um hebreu, nascido
da hebréia Joquebede, numa época de grande tribulação para o seu povo no
cativeiro do Egito. O seu nascimento coincidiu com o decreto do Faraó que determinou
a morte de todos os primogênitos hebreus. Moisés foi salvo e acolhido pela filha
de Faraó. Foi criado e se desenvolveu recebendo a cultura egípcia e todos os
benefícios da vida no palácio.
Mas, vendo a opressão do seu
povo, querendo fazer justiça com as próprias mãos, matou o egípcio e o escondeu
na areia. Esse triste episódio fez de Moisés um fugitivo. Foi para o deserto. Casou-se
com Zípora e, por décadas, cuidou do rebanho do seu sogro Jetro.
Mas agora, Deus o chama para
um momento único em sua vida. A presença causa um impacto tremendo na vida de
Moises. A glória de Deus o transforma, radical e totalmente.
Cura os seus traumas e as
suas feridas do passado; tira-o do “deserto existencial” e o faz olhar para
algo que realmente desse sentido à sua vida. Deus restaura Moisés e dá razão e
significado à sua vida. Há algo muito mais importante a ser feito que cuidar do
rebanho do seu sogro.
Um detalhe importante: Horebe
significa “deserto, sequidão”. Assim, por certo era a vida de Moisés. Pois é
exatamente neste contexto que Deus revela a sua glória para transformá-lo em um
líder, cheio de autoridade e utilidade.
Ao longo da história, muitas
outras “sarças” vêm ocorrendo e muitos têm sido transformados pela glória de
Deus.
3 - MOISÉS, TRANSFORMADO, É PODEROSAMENTE USADO POR DEUS
Deus tem uma grande missão
para a vida de Moisés. Ele é o homem escolhido para liderar a libertação do
povo do cativeiro do Egito.
Essa proposta é muito
interessante, mas provoca em Moisés uma reação. Ele não se vê à altura para
corresponder às expectativas divinas e faz quatro objeções:
Ø
Moisés diz não se
considerar importante o suficiente para comparecer diante de Faraó. O Senhor responde
a Moisés dizendo que estará com ele e o trará de volta ao monte Sinai.
Ø
Moisés se queixa de não
ter autoridade. O Senhor diz a Moisés que ele, o “Eu Sou o Que Sou”, é a sua
autoridade.
Ø
Moisés insiste que o
povo não acreditará nele. O Senhor transforma o cajado de Moisés em uma
serpente e diz que o povo crerá nele quando vir isto.
Ø
Moisés queixa-se de não
ser eloqüente. O Senhor diz a Moisés que Arão, seu irmão, falará por ele.
A Bíblia registra, com
detalhes, as dificuldades, as lutas, mas também as vitórias de Moisés na
libertação do povo: resistência de Faraó, as pragas como credenciais do poder
de Deus, a saída jubilosa, a travessia do Mar Vermelho e as experiências no
deserto.
Uma história realmente
vitoriosa. O plano de Deus mais uma vez deu certo e a sua vontade foi
satisfeita.
O homem precisa de um
encontro com Deus. A Sua presença não apenas causa um grande impacto, mas uma
profunda transformação de vida.
Há cristãos vivendo os seus
“desertos” espirituais, necessitando de uma “sarça”. Ou seja, precisam da
manifestação gloriosa de Deus.
O Deus que se revela na história
e nas nossas vidas tem vida e atributos próprios. Ele quer nos transformar em
pessoas com testemunhos relevantes, que
glorifiquem o seu nome e cumpram os Seus propósitos neste mundo.
Se você, por alguma razão, entende que está vivendo distante dos planos de Deus, comece uma vida de oração e de leitura dedicada da Sua Palavra. Deixe-o atrair para si e viva também uma grande experiência de transformação e vivificação. Busque a plenitude de Deus (Ef.3:19).
Sermão pregado no culto vespertino de 3 de agosto de 2008
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