3/8/2008

 

O HOMEM E A GLÓRIA
DA PRESENÇA DE DEUS

 

Rev. Valdemar de Souza

 

Introdução

 

Há alguns anos atrás, J.B.Philips escreveu o livro: “O Seu Deus é Pequeno Demais”. O seu propósito foi o de desfazer equívocos acerca da natureza e da pessoa de Deus.

 

Philips diz que para muitos, Deus assume figuras imaginárias, próprias da sua cultura e quotidiano. Desta forma, na cabeça de muitas pessoas, Deus pode ser uma espécie de policial, que nos vigia e nos castiga quando erramos. Para muitos crentes, Deus é

 

Manso e Suave, que não se irrita com os seus pecados e está sempre disposto a recebê-los e abençoá-los.

 

Rick Warren, no seu livro “Uma Igreja com Propósitos”, diz que essas figuras imaginárias se transformam em ídolos adorados e servidos, o que se constitui em pecado.

 

Quem é Deus para você?

 

Que lugar Deus ocupa na sua vida?

 

Você já teve uma experiência real com a presença de Deus em sua vida?

 

Êxodo 3 é um texto bíblico muito especial, porque revela a pessoa e a natureza de Deus na sua essência. Mostra como Deus pode mudar a história de um homem, convidando-lhe a estar em sua presença.

 

Moisés, sem que pudesse prever esse acontecimento, de repente vê-se vivencia uma das mais impressionantes experiências sobrenaturais: a revelação da glória de Deus.

 

1 – A GLÓRIA DA PRESENÇA DE DEUS

 

Moisés cuidava rotineiramente do seu rebanho e, ao levá-lo certo dia para o lado ocidental do deserto, chegou ao monte Horebe.

 

Observou algo extraordinário, fantástico: “apareceu o Anjo do Senhor numa chama de fogo, no meio duma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo e a sarça não se consumia. Então, disse consigo mesmo: Irei para lá e verei essa grande maravilha; por que a sarça não se queima?”

 

Nesse momento, Deus se manifesta a Moisés. E esta é a revelação da glória de Deus, dentro das possibilidades humanas de compreender e assimilar.

 

Ø     Deus apresenta-se pelo seu nome: Javé. Este nome significa a sua auto-existência, o único ser real e a fonte de toda realidade. O nome Javé identifica Deus como auto-suficiente, eterno, imutável em suas promessas. O nome Javé é o mesmo que “Eu sou”. No original, esse verbo possui um tempo indefinido, significando “eu era”, “eu sou” e “eu serei”.

 

Ø     Deus se manifesta em sua glória, através dessa maravilhosa manifestação. A glória de Javé revela a sua majestade, em seu poder, no brilho da sua santidade. O Todo-Poderoso se manifesta no mundo limitado dos homens. O “Santo, Santo, Santo” Deus se faz presente e dialoga com homem pecador. “Vendo o Senhor que Moisés se voltava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse Moisés! Moisés!”

 

Ø     Deus condiciona o seu diálogo com o homem. Disse a Moisés: “Não te chegues para cá; tira as sandálias dos seus porque este lugar em que está é terra santa” Deus quis dizer: Moisés, não se aproxime muito perto, porque a minha glória poderá te destruir; chega para cá, para este lugar, sem as tuas sandálias, ou seja, os seus conceitos e preconceitos, sem os teus valores pessoais, sem as experiências contabilizadas em sua vida, as quais contam como grandes conquistas existenciais. Venha sem a proteção que você conquistou para se apoiar e andar. Venha sem as suas sandálias.   

 

A glória de Deus, de forma plena e absoluta, não é algo que o homem possa suportar. Bem mais tarde, Moisés disse: “Rogo-te que me mostra a tua glória. Porém ele disse: eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e apregoarei o nome do Senhor diante de ti (...) não poderás ver a minha face, porquanto homem verá a minha face, e viverá (...) me verás pelas costas: mas a minha face não se verá” (Ex.33:18-23).

 

Todavia, Deus toma a iniciativa e se deixa conhecer, numa experiência que os teólogos chamam de teofania, ou seja, a revelação pessoal de Deus ao homem.

 

Nessa revelação da sua glória a Moisés, Deus define um santo propósito.

 

2 – A GLÓRIA DA PRESENÇA DE DEUS TRANSFORMA A VIDA DE MOISÉS


Quem era Moisés? Qual a sua história?

 

Moisés era um hebreu, nascido da hebréia Joquebede, numa época de grande tribulação para o seu povo no cativeiro do Egito. O seu nascimento coincidiu com o decreto do Faraó que determinou a morte de todos os primogênitos hebreus. Moisés foi salvo e acolhido pela filha de Faraó. Foi criado e se desenvolveu recebendo a cultura egípcia e todos os benefícios da vida no palácio.

 

Mas, vendo a opressão do seu povo, querendo fazer justiça com as próprias mãos, matou o egípcio e o escondeu na areia. Esse triste episódio fez de Moisés um fugitivo. Foi para o deserto. Casou-se com Zípora e, por décadas, cuidou do rebanho do seu sogro Jetro.

 

Mas agora, Deus o chama para um momento único em sua vida. A presença causa um impacto tremendo na vida de Moises. A glória de Deus o transforma, radical e totalmente.

 

Cura os seus traumas e as suas feridas do passado; tira-o do “deserto existencial” e o faz olhar para algo que realmente desse sentido à sua vida. Deus restaura Moisés e dá razão e significado à sua vida. Há algo muito mais importante a ser feito que cuidar do rebanho do seu sogro.

 

Um detalhe importante: Horebe significa “deserto, sequidão”. Assim, por certo era a vida de Moisés. Pois é exatamente neste contexto que Deus revela a sua glória para transformá-lo em um líder, cheio de autoridade e utilidade.  

 

Ao longo da história, muitas outras “sarças” vêm ocorrendo e muitos têm sido transformados pela glória de Deus.

 

 

3 - MOISÉS, TRANSFORMADO, É PODEROSAMENTE USADO POR DEUS

 

Deus tem uma grande missão para a vida de Moisés. Ele é o homem escolhido para liderar a libertação do povo do cativeiro do Egito.

 

Essa proposta é muito interessante, mas provoca em Moisés uma reação. Ele não se vê à altura para corresponder às expectativas divinas e faz quatro objeções:

 

Ø     Moisés diz não se considerar importante o suficiente para comparecer diante de Faraó. O Senhor responde a Moisés dizendo que estará com ele e o trará de volta ao monte Sinai.

 

Ø     Moisés se queixa de não ter autoridade. O Senhor diz a Moisés que ele, o “Eu Sou o Que Sou”, é a sua autoridade.

 

 

Ø     Moisés insiste que o povo não acreditará nele. O Senhor transforma o cajado de Moisés em uma serpente e diz que o povo crerá nele quando vir isto.

 

Ø     Moisés queixa-se de não ser eloqüente. O Senhor diz a Moisés que Arão, seu irmão, falará por ele.

 

A Bíblia registra, com detalhes, as dificuldades, as lutas, mas também as vitórias de Moisés na libertação do povo: resistência de Faraó, as pragas como credenciais do poder de Deus, a saída jubilosa, a travessia do Mar Vermelho e as experiências no deserto.

 

Uma história realmente vitoriosa. O plano de Deus mais uma vez deu certo e a sua vontade foi satisfeita.

 

CONCLUSÃO

 

O homem precisa de um encontro com Deus. A Sua presença não apenas causa um grande impacto, mas uma profunda transformação de vida.

 

Há cristãos vivendo os seus “desertos” espirituais, necessitando de uma “sarça”. Ou seja, precisam da manifestação gloriosa de Deus.

 

O Deus que se revela na história e nas nossas vidas tem vida e atributos próprios. Ele quer nos transformar em pessoas com testemunhos  relevantes, que glorifiquem o seu nome e cumpram os Seus propósitos neste mundo.

 

Se você, por alguma razão, entende que está vivendo distante dos planos de Deus, comece uma vida de oração e de leitura dedicada da Sua Palavra. Deixe-o atrair para si e viva também uma grande experiência de transformação e vivificação. Busque a plenitude de Deus (Ef.3:19). 

Sermão pregado no culto vespertino de 3 de agosto de 2008

--
Sermões dominicais (ÍNDICE)


----
Quer receber os sermões semanalmente?

Mande e-mail para falecom@ipicamp.org.br com a mensagem “quero sermões”