31.8.2008
A COMUNHÃO CRISTÃ
(Hb.10:24-25 / Tg.5:16)
Reverendo Valdemar de Souza
Introdução
- “É forte a tua igreja?”, perguntou um
crente ao outro.
-
“Sim,
muito forte!”
-
“Quantos
membros ela têm?”
-
“Somos
setenta e seis”
-
“Só? Então é gente de muito dinheiro?
-
“Ao
contrário, somos muito pobres...”
-
“Como
é então que a tua igreja é forte?”
-
“Ora,
é porque somos muito unidos, temos nos consagrado ao trabalho do Senhor,
vivemos em paz, amamo-nos uns aos outros e procuramos ser justos e viver em
harmonia com a vontade de Deus, pregando o evangelho e trabalhando pelo bem
comum.”
Este diálogo pode desfazer
muitos equívocos acerca da Igreja.
Deus teve um grande
propósito em nos salvar e nos transformar em seus filhos. Outro propósito
igualmente importante foi o de nos inserir na sua família – a Igreja.
Os dois textos bíblicos
acima falam de atitudes fundamentais dos cristãos, para que possam viver em
comunhão.
O termo comunhão pode não
ser muito estranho, mas a sua prática sim. Comunhão vai muito além de um
relacionamento comum. A comunhão expressa unidade de propósitos, um profundo
respeito e consideração e exige investimento na vida do irmão. A comunhão
elimina a solidão, tão comum neste mundo.
A Igreja, infelizmente, tem
sido contaminada pelas influências negativas e destruidoras do mundo, como o
relativismo e a impessoalidade nos relacionamentos. E, por isso, tem
desenvolvido um relacionamento apenas formal e descomprometido entre os seus
membros.
Uma irmã muito querida
disse: “A minha igreja está se transformando em uma daquelas repartições
públicas”. A irmã estava preocupada com um perigo: a sua Igreja deixar de viver
como uma comunidade saudável e passar a valorizar mais a organização e a
instituição.
Aprendemos que:
Compartilhar conhecimento e experiências
Sim, porque numa vida de comunhão o irmão é mais
importante. Além do que investir nele traz satisfação pessoal, prazer
espiritual.
Paulo demonstra isto quando escreveu a sua carta aos
irmãos da Igreja em Roma. Em Rm.1:11-12, o apóstolo diz: “Porque muito desejo ver-vos, a fim de repartir convosco algum dom
espiritual, para que sejais confirmados, isto é, para que, em vossa companhia,
reciprocamente nos confortemos por intermédio da fé mútua, vossa e minha.”
Se você não compartilha o seu conhecimento, as suas experiências, os seus dons, as suas conquistas com os seus irmãos, com certeza a sua espiritualidade é isolada que tende a se esfriar e ser derrotada.
É tão salutar e edificante quando os irmãos se abençoam com as suas conquistas em Cristo. Há alegria, celebração e culto ao Senhor.
2. Compartilhar fraquezas e pecados
A comunhão propõe um relacionamento informal, com
liberdade e confiança.
A Igreja é grandemente edificada, Deus é glorificado
com os irmãos que, desfrutando dessa liberdade e da confiança, abrem os seus
corações, sem reservas e compartilham tudo o que são.
Compartilhar com alguém a nossa vida, principalmente
as nossas fraquezas e pecados, não é uma tarefa fácil.
-
Há
uma falsa idéia de que numa comunidade cristã não existem pecadores. E por conta
disto, revelar o pecado e a fraqueza, significa muitas vezes ser discriminado e
“apedrejado”. O medo de se expor faz com que esses males permaneçam, trazendo conseqüências
destruidoras.
-
Há
por outro lado outro problema: será que encontraremos ouvidos e corações
disponíveis e preparados para que possam ouvir as nossas fraquezas e pecados?
Um defeito presente nessas circunstâncias é o de julgar e condenar o outro em vez de ajudá-lo.
-
Mas
também, será que há ouvidos e corações disponíveis? As pessoas não dedicam mais
tempo para o outro. Não há interesse em ajudar o outro.
Talvez, antes de abrir a boca e coração, temos que
curar os ouvidos e o coração das pessoas.
Temos que admitir: somos pecadores que vivem o
processo de santificação. Todos nós precisamos uns dos outros para compartilhar
os nossos males.
Dietrich Bonhoeffer, diz em um de seus livros: “Quem
fica sozinho com o seu mal, fica totalmente só”.
Davi compartilhou a sua experiência pessoal: “Enquanto calei os meus pecados,
envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a
tua mão pesava sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio”( Sl.32:3-4).
O apóstolo Paulo disse: “compartilhai as necessidades dos santos”(Rm.12:13). Veja que o
apóstolo chama os membros da Igreja de santos e estabelece uma ordem: compartilhai.
Confessar revela uma vida de prestação de contas e
que resulta em segurança, cura, bem estar, progresso espiritual e assim por diante.
A confissão retira a máscara, com toda a hipocrisia e mentira que foram
sustentados.
É dura a luta até que os lábios consigam pronunciar
a confissão de pecados, mas Deus “quebrou
as portas de bronze, despedaçou as trancas de ferro” (Sl.107:16).
A confissão dos pecados e fraquezas ao irmão cristão derruba os últimos
redutos da auto-justificação
Na época do Tabernáculo, o chefe
de família, trazia nos ombros uma ovelha. Ela seria entregue ao sacerdote para
ser sacrificada em seu lugar, para que os seus pecados fossem eliminados. Antes
de entrar no Tabernáculo, esse homem por certo dava algumas voltas. Era uma
decisão difícil assumir a culpa e sacrificar aquele animal inocente em seu
lugar, mas era uma decisão necessária.
Uma vez
expresso e confesso. O pecado já não tem poder, pois foi manifesto como pecado
e julgado. Já não tem o poder para prejudicar a comunhão.
1.
Deus nos tratou assim.
Quando estávamos perdidos e
condenados, Ele nos alcançou com a sua maravilhosa graça e, no poder do
Espírito Santo, nos transformou em membros da sua família cristã.
Quando ele nos viu, estávamos sujos e contaminados pelo pecado. Mas, o mais importante foi que ele olhou além do pecado e nos amou ao ponto de enviar o seu único Filho para nascer, viver, morrer e ressuscitar. Ele usou uma cruz para sacrificar o seu próprio Filho, a fim de nos restaurar e nos receber na sua Igreja.
A nossa confissão foi recebida pelos ouvidos
disponíveis e pelo coração misericordioso de Deus.
Ele nos amou intensamente.
2. Deus nos quer como agentes de cura e
restauração para abençoarmos os nossos irmãos.
No nome de Jesus podemos fazer milagres na cura e restauração da comunhão cristã. Ao nome de Jesus até os demônios se submetem. Em nome de Jesus podemos ser instrumentos de bênçãos e assim, restaurarmos a vida de muitos que sofrem ao nosso lado. Para essa importante obra necessitamos de:
Ø Sabedoria. É o primeiro pré-requisito, a fim de que não sejamos precipitados em julgar e condenar antecipadamente. Sabedoria para guardarmos a confissão em absoluto segredo. Agindo assim, o irmão se sentirá ajudado, socorrido e abençoado.
Ø Amor. É uma condição básica para olharmos além dos pecados e fraquezas, e assim enxergarmos uma vida que precisa de ajuda. “O amor lança fora o medo”, disse o apóstolo João (I Jo.4:18).
O Rev. Edílson Botelho compôs uma linda canção, denominada, “Juntos”. Chamo a atenção para a frase: “Cordas que foram partidas, podem de novo soar...” É exatamente isto o que ocorre quando nos lançamos, com sabedoria e amor, à obra de cura e restauração da comunhão entre os irmãos.
Eu tenho dito que a Igreja de Cristo é aqui na terra
o único lugar onde podemos viver e desfrutar de um ambiente sadio, confiável e,
portanto, feliz.
Transformemos esta Igreja em comunidade terapêutica,
onde os irmãos vivam sob a intensa e abençoada a comunhão em Cristo.
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Sermão pregado no culto noturno de 31 de agosto de
2008
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