2.11.2008
Atualidade
da Reforma
Reverendo Ednilson Mariano
A venda das indulgências mostra como o
conceito do pecado estava distorcido na ocasião da Reforma do Século XVI. Sem o
conhecimento das Escrituras, o povo era espoliado e oprimido por aqueles que
detinham o poder. A postura da Igreja Medieval era totalmente contrária à visão
bíblica de pecado e a Palavra de Deus como regra de fé e prática era coisa do
passado.
A Reforma
resgatou vários princípios que haviam sido esquecidos e nesta noite gostaria
que olhássemos apenas para dois deles.
A essência do pecado foi banalizada ao ponto
de se acreditar que o seu resgate podia se efetivar pelo dinheiro. É fácil ver
as implicações que a falta de um conceito bíblico de pecado traz para outras
doutrinas chaves da fé cristã. Por exemplo: se o resgate é em função da soma de
dinheiro paga, como fica a expiação de Cristo? Qual a sua necessidade? Ao se
insurgir contra as indulgências, Lutero estava, na realidade, reapresentando a
mensagem da Palavra de Deus sobre o homem, seu estado, suas responsabilidades
perante o Deus Santo e Criador e sua necessidade de redenção.
Hoje, estes conceitos estão cada vez mais
ausentes da doutrina da Igreja contemporânea.
Nós somos pecadores! Naquela época, e na
nossa, há um esquecimento desse fato.
Traduzimos pecado por transtorno. O ladrão se tornou cleptomaníaco; aquele que
não controla o impulso sexual, se tornou parafilíaco, o inconstante, maníco-depressivo. A Bíblia tem uma perspectiva
sobre o pecado um pouco diferente da geração atual.
·
A Bíblia afirma
categoricamente que “Não passamos de trapo de imundícia”, to do nosso corpo é
cheio de feridas. Is. 1.6
·
Do nosso coração é que
saí toda sorte de mal. Mt. 7.21-23
·
Que isso se deve a
natureza do próprio coração. Jr. 17.9
·
Paulo fala que aquilo de
bom que ele quer fazer isso ele não faz... Rm. 7.15
·
Quando olhamos para o
cenário inicial da criação nós aprendemos que mesmo em um ambiente de profunda
harmonia, preferimos escolher o pecado.
·
Mesmo sendo advertidos
pelo Senhor, preferimos o pecado.
·
Mesmo depois de o povo
ver o livramento de Deus com a libertação do cativeiro egípcio, eles logo em
seguida se prostituem diante de um bezerro de ouro.
·
Mesmo Deus livrando o
povo de vários sofrimentos, como no período dos Juízes, logo que o tempo passa,
o povo preferiu o pecado.
·
Após anos de cativeiro,
o povo de Israel preferiu o pecado.
·
Mesmo depois de mil
anos que o Maligno tiver sido amarrado, muitos depois da sua soltura, preferirá
o pecado.
É a lei da gravidade. Soltou, cai! “Não há
quem queira, não há quem busque!”. “É Deus quem opera em nós tanto o querer
quanto o realizar segundo a sua boa vontade.”
A lei existe para revelar quem eu sou (Rm.
7.16,17). E nós somos isso, pecadores! A reforma veio para resgatar essa
verdade. Nós não somos cleptomaníacos. Nós não temos desvios sexuais, isso é
chamado pela Bíblia de prostituição.
Quando Jonathas
Eduard pregou seu célebre sermão “Pecadores nas mãos de um Deus irado” os
seus ouvintes não deram desculpas que tinham problema de personalidade; mas
reconheceram que tinham um coração corrupto! Não ficaram deprimidos, mas desesperados!
Meus irmãos, a reforma veio para resgatar
essa verdade. Somos pecadores! Só quando reconhecemos que somos pecadores é que
de fato existe a razão de um Salvador. Se deixarmos a pregação sobre o pecado
esquecida, fica sem sentido a vinda do Salvador. Ora, é isso que lemos em
Mateus acerca do nome Jesus (MT. 1.21).
1. É no desespero que procuramos a solução
Quando reconhecemos que de fato somos
pecadores a GRAÇA ganha ainda mais significado para a humanidade.
“...
Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça”. Rm. 5.21
A beleza do evangelho é justamente isso.
Cristo nos ama assim como estamos, mesmo quando muitos dizem que não há mais
solução O Senhor estende a Sua mão. Cristo morreu quando ainda éramos
pecadores. É graça!
O mesmo Deus que diz em Isaías que condena o
pecado é o mesmo Deus que convida o pecador ao arrependimento.
Is.
1.18. “Vinde, pois, e arrazoemos, ainda que o vossos pecados são como a
escarlate, eles se tornaram brancos como a neve...
Quando reconhecemos que somos pecadores
encontramos com a graça de Cristo. Graça que prova que não há pecado ou culpa
que não encontre perdão. A semelhança de um dos ladrões da cruz; temos primeiro
que reconhecer nossa indignidade para ouvirmos e sentirmos o poder da graça que
alcança o homem mais miserável.
“A
mensagem da Reforma continua necessária aos nossos dias. Estamos nos
acostumando a ouvir que todas as ações são legítimas; que pecado é um conceito
relativo e ultrapassado; que o que importa é a felicidade pessoal e não a
observância de princípios.
Mesmo nos meios evangélicos, existe grande falta de discernimento — há uma
preocupação muito maior com a necessidade de encontrar justificativas,
explicações e racionalizações do que com a convicção e o arrependimento, arrependimento
necessário para recebermos a graça de Cristo”.
2. A Reforma resgatou
o conceito da
autoridade vital da Palavra de Deus - 2 Pe 1:16-21
Quantas versões temos da Bíblia no
Brasil?A Bíblia sagrada. JFA/ E.R. e C.
A Bíblia Sagrada. JFA. E. R. E Atualiz.
No Brasil/ A Bíblia S Revisada Imprensa bíblica Brasileira/ Bíblia de
Jerusalém/ A Bíblia Sagrada Vozes. Ed. Vozes/ NVI. Sociedade bíblica
internacional/ Na linguagem de Hoje S. B. Do Brasil/ Viva. Edit. Mundo Cristão/
Cartas para hoje. J.B. PHILLIPS. Ed. Vida nova/ Bíblia trinitariana...
Quantas Bíblias temos a nossa
disposição?
15 min. Leitura diária ou 3 Cap. São
necessários para ler a Bíblia em um ano.
“Na
ocasião da Reforma, a tradição da Igreja já havia se incorporado aos padrões
determinantes de comportamento e da doutrina e, na realidade, já havia
abandonado as prescrições das Escrituras. A Bíblia era conservada distante e
afastada da compreensão dos devotos; era considerada um livro só para os
entendidos, um livro obscuro e até perigoso para as massas. Os Reformadores
redescobriram e levantaram bem alto o único padrão de fé e prática: a Palavra
de Deus e, por este padrão, aferiram tanto as autoridades como as práticas
religiosas em vigor”.
O
Salmo 119 é um tributo à lei do Senhor. A Tua Lei é meu Prazer. Na tua lei medito de dia e de noite.
O problema é justamente esse: se a Bíblia é
Lei, o mundo não se submeterá à Bíblia. Vivemos em um momento de bagunça
generalizada. Assim como nos tempos dos Juízes de Israel, hoje também cada um
faz aquilo que parece bom aos seus olhos. O mundo celebra a desordem, “o cada um por si”, a mentira... Falar
de lei nesta época tem sido “démodé”.
Infelizmente essa tendência tem encontrado
espaço dentro das nossas igrejas. Ninguém quer ouvir que é pecador, que seu coração
é desesperadamente corrupto e que, na verdade, quase nunca escolhemos a
obediência a Palavra. Preferimos ouvir mensagens mais de autoafirmação ou autoajuda,
pois essas mensagens nos alivia a culpa e nos coloca como promotores do
bem.
3. A mensagem da Reforma continua necessária.
Precisamos resgatar urgentemente a leitura da Bíblia
Assim como nas seitas, no meio evangélico
também temos muitos livros e gurus que tentam usurpar a autoridade bíblica.
Dizemos que a Bíblia é nosso guia de fé, mas não de prática. Basta olhar para a
vida dicotômica de muitos crentes. Assim como na lei civil, vivem procurando
brecha na lei de Deus para amparar suas vidas dissolutas. O grande problema contemporâneo é esse, dizem
que crêem na Bíblia, mas não acreditam que ela pode ditar a maneira correta de
viver; “Essa proibição foi para aquele
contexto e não para o nosso”, dizem os crentes modernos.
Também vemos uma inversão de valores no
hábito de leitura de muitos crentes.
Conhecemos muitos escritores, livros e
preletores, mas e a Bíblia?
Faça um teste com os membros da igreja,
pergunte a eles quantos leram a Bíblia totalmente uma vez na vida. Peça para
que eles recitem os 10 mandamentos, peça para que eles falem os 66 livros da
Bíblia, peça para que eles explicar a mensagem da salvação... Com toda certeza
ficaremos perplexos com a resposta. Dizemos
acreditar em um livro que não sabemos o seu conteúdo. Isso é pura ironia e
também não é para ficarmos surpresos que a igreja brasileira vive numa crise de
identidade. Quando falta o conhecimento das Escrituras nos conformamos a várias
formas e imagens, menos a “Imagem de Cristo”.
Seguimos a muitos homens que se dizem mestres, mais não somos discípulos
do Mestre, pois para que isso seja uma verdade em nossas vidas teríamos que conhecer
e obedecer a Sua Palavra.
A mensagem da reforma é atual. Precisamos
resgatar a Bíblia como nossa regra de fé e também de prática.
CONCLUSÃO
Precisamos
de reformadores em nossas igrejas. Mas antes de reformamos os outros precisamos
começar a reforma em nós. Você está
disposto?
--
Sermões
dominicais (ÍNDICE)
----
Quer receber os sermões semanalmente?
Mande e-mail para falecom@ipicamp.org.br
com a mensagem “quero sermões”