2.3.2008
A vida em 3 atos (3)
O CUIDADO PASTORAL
Salmo 23
Introdução
A vida humana não pode existir como algo solto no ar,
levado pelo vento das circunstâncias, como na canção de Zeca Pagodinho:
“Deixa a vida me levar, vida leva eu. Deixa a vida me
levar, vida leva eu”
A música da Banda Skank diz:
“Vou deixar a vida me levar, pra onde ela quiser”
Com o medo de caírem, as pessoas se seguram onde elas
puderem, como é o caso da letra dos Titãs:
“O acaso vai me proteger enquanto eu estiver
distraído; o acaso vai me proteger enquanto eu andar...”
Quando esta filosofia de vida é a que prevalece, as
pessoas, ao final só lamentam e choram.
A vida é complexa e difícil de ser desenvolvida sem a
ajuda de alguém superior que possa, com liberdade e autoridade, nos ensinar,
nos corrigir, nos consolar e suprir as nossas necessidades.
Nós precisamos de Deus em todos os momentos e
circunstâncias.
Todavia, essa ajuda tão importante e necessária,
encontra em nós resistências.
1. O Cuidado Pastoral de Deus encontra
séria resistência na Auto-Confiança
humana
A autoconfiança funciona como um grande obstáculo
para Deus exercer, com liberdade e autoridade, o seu cuidado pastoral em nossas
vidas.
Gostamos de fazer as coisas do nosso modo. Esquecemos
o modo comum. Esquecemos o modo melhor. Esquecemos o modo de Deus. Queremos
fazer as coisas do nosso jeito.
Achamo-nos suficientemente capazes para cuidar de nós
mesmos.
Max Lucado diz no seu livro “Aliviando a Bagagem”:
“De todos os animais criados por Deus, a ovelha é a
menos capaz de cuidar de si própria.
Ovelhas são tolas! Você já conheceu um treinador de
ovelhas? Já viu ovelhas fazerem truques? Conhece alguém que ensinou sua ovelha
dar cambalhotas? Já assistiu a um show de circo apresentando ‘Mazadon e sua
ovelha saltadora’? Não. Ovelhas são simplesmente tolas demais. E indefesas.
Elas não possuem presas ou garras. Elas não podem mordê-lo nem correr mais que
você. É por isso que você nunca vê ovelhas como mascotes de time.” Temos o
gavião, a macaca, o porco, o leão, mas nunca ovelhas.
Não foi por acaso que Davi escolheu a ovelha para
ilustrar o ser humano. Assim como as ovelhas precisam e dependem de um pastor,
o ser humano precisa de Deus.
Mas, a autoconfiança levada às últimas conseqüências,
traz muitos prejuízos.
Um time que entra em campo apoiado no famoso “já
ganhou” só se dá mal.
Lembro-me de um grande time da capital, formado por
estrelas do futebol mundial, tendo inclusive um técnico estrangeiro no seu
comando, foi jogar com o desconhecido Astorga F.C. A autoconfiança desse time
de estrelas, dizia que o jogo seria uma “barbada”. Jogo fácil. Esse time de
estrelas tomou de 3 a O.
Um jovem pastor que tinha a responsabilidade de
pregar um sermão em um culto especial da sua Igreja. Preparou, preparou e
tomado de uma destrutível autoconfiança, subiu ao púlpito. Foi um fracasso
total. Percebendo isto, desceu cabisbaixo. Um pastor jubilado disse-lhe: “Você
devia ter subido ao púlpito como desceu para descer do púlpito como subiu”.
Quando usamos o famoso “deixa comigo” ou o “é comigo
mesmo”, nós nos damos mal.
É evidente que a autoconfiança, dentro de limites
saudáveis, tem um papel importante no nosso desenvolvimento pessoal. Afinal, o
verdadeiro cristão reconhece que Deus o tem capacitado com recursos
importantes. A autoconfiança eleva a nossa auto-estima e nos dá segurança.
Todavia, quando ultrapassa a linha do que chamamos de
saudável, impede inclusive o seu pastoreio em nossas vidas.
Tiago nos ensina, em termos bem práticos, como
devemos proceder diante dos desafios da vida:
Atendei,
agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá
passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros.
Vós não
sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina
que aparece por instante e logo se dissipa.
Em vez disso,
devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto
ou aquilo
(Tg.4:13-15)
2. O Cuidado Pastoral de Deus é o Seu
Amor compartilhado através de Atitudes Concretas
O pastoreio depende essencialmente do amor de Deus
pelas suas ovelhas. O amor, biblicamente falando, não é definido apenas como um
sentimento. O amor se expressa em ações concretas na relação com a pessoa
amada. O vocábulo grego ágape
traduzido por amor nos textos do Novo Testamento, pressupõe sacrifício e
disponibilidade pessoais em relação à pessoa amada.
Davi, diz que o Senhor Deus, na condição de Grande
Pastor, vivencia esse amor em ações concretas. Isto pode ser identificado no
uso dos verbos que ele conjuga no seu cuidado para conosco.
·
Ele me faz (2)
·
Ele me leva (2)
·
Ele refrigera (3)
·
Ele me guia (3)
·
Ele está presente (4)
·
Ele me consola (4)
·
Ele prepara (5)
·
Ele me unge (5)
O seu cuidado pastoral o mantém ocupado conosco,
dando-nos graças de maneira a reverter necessidades importantes.
Na primeira mensagem da série, levantei quatro reais
necessidades do rebanho do Senhor: direção, restauração sustento e descanso.
Nesta mensagem destacamos outras ações concretas do
amor de Deus para conosco, tais como:
O Salmo garante da parte do Pastor ações
profundamente restauradoras em relação às suas ovelhas. Há duas frases
importantíssimas: “Refrigera-me a alma” e “a tua vara e o teu cajado me consolam”
A alma humana quando ferida por qualquer evento
desagradável na vida, precisa de cura, para experimentar o refrigério.
No primeiro sermão da série mencionei a culpa e a
amargura como feridas na alma. O Supremo Pastor propõe neste salmo o refrigério
da alma, ou seja, a cura total e completa da alma de todos os eventos, por mais
graves que tenham sido.
Rick Waren, ministrando sobre esse assunto, mencionou
a experiência de cura e transformação de uma mulher chamada Kathy. Essa mulher
foi abandonada quando bebê, criada por estranhos, passou por muitos lares,
sofreu todo tipo de agressão possível a uma pessoa. Foi presa e abusada. Um dia
conheceu o seu marido e ambos foram a uma campanha evangelística de Billy
Graham. Ambos se entregaram a Jesus e, a partir desse momento Deus começou uma
grande obra de cura e restauração da sua alma.
Kathy testemunha com alegria que o Senhor promoveu
refrigério à sua alma. E diz: “Se você está experimentando a culpa, a mágoa ou
o rancor, por causa de experiências dolorosas em sua vida, eu suplico, por
favor, deixe Jesus Cristo fazer por você o que Ele fez e ainda continua fazendo
por mim”.
O pastor do Salmo 23 quer lhe curar de todas as
feridas na alma. Ele pode conduzi-lo às águas tranqüilizadoras,
Por que a ovelha precisa de coragem? Ela não é um
animal criado para lutar? Jamais enfrentará um leão cara a cara? A ovelha não
precisa de coragem para lutar com um leão, mas para confiar no pastor.
Temos um inimigo comum, cujo propósito é e sempre
será nos atemorizar e nos atormentar. Seu nome é Satanás.
Como enfrentá-lo? Na verdade não temos que
enfrentá-lo, precisamos transferir essa luta ao Senhor, que o derrotou na cruz
do Calvário.
Quantas vezes somos vítimas de ataques do diabo que,
astutamente, aproveita-se de alguma fraqueza nas nossas vidas. É nesse momento
que precisamos clamar pelo “sangue de Jesus” e nele nos socorrermos.
Precisamos de coragem para assumir e confessar os
nossos pecados.
Na época do Tabernáculo, o pecador, muitas vezes
representando a sua família ou a si mesmo, pegava uma ovelhinha do seu rebanho
e se dirigia àquele local sagrado. Lá, ele entregava a sua ovelha ao sacerdote,
e confessava os seus pecados. Em seguida a sua ovelha para ser sacrificada. Um
detalhe muito importante. Às vezes esse homem dava muitas voltas ao redor do
Tabernáculo com a ovelha sobre os seus ombros. Faltava-lhe a coragem para
assumir os pecados e sacrificar aquele lindo e dócil animal pela sua culpa.
Nós fazemos o mesmo. Ficamos rodeando nas nossas
palavras em nossa oração de confissão porque falta-nos coragem.
O Espírito Santo, diz Paulo aos Romanos (8: ) nos
assiste em nossa fraqueza. Ele nos dá coragem para resolvermos questões tão
importantes.
Para o amedrontado pecador, Deus diz: “Não temas, Eu
sou o teu Salvador”.
O mundo do qual fazemos parte não é nem um pouco
solidário. As relações em geral atendem aos interesses pessoais. As pessoas não
querem ouvir os problemas dos outros.
O verbo consolar é muito especial na Bíblia,
principalmente no Novo Testamento. Tanto que Jesus chamou o Espírito Santo de
Consolador. Nos tempos apostólicos, consolador, por exemplo, era aquele
advogado que visitava um criminoso, ouvia a sua história, colocava-se a sua
disposição e defendia a sua causa em juízo.
O Espírito Santo faz, enquanto consolador, o mesmo.
Resolve as nossas pendências espirituais.
Por outro lado, Deus nos consola quando enfrentamos
as intransponíveis situações na vida.
Davi era um menino de três anos, filho de um médico e
uma dentista, amigos meus.
Saudável, corria pelo templo como as demais crianças.
De repente começou a sentir umas dores na barriga e descobriu que tinha um
problema grave nos intestinos. Submetido a uma cirurgia de emergência, teve
infecção generalizada e não resistiu. O seu sepultamento foi muito comovente.
Era perceptível a forma como os seus pais, Lilson e Elisângela, suportaram e
venceram essa “grande tempestade”. Eles têm sido consolados por Deus, o grande
pastor.
Deus pode enxugar da maneira mais eficiente possível
as nossas lágrimas.
O texto diz: “Preparas
uma mesa perante mim na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com
óleo e o meu cálice transborda” (5)
Assim como a ovelha, estamos rodeados de inimigos com
diversas intenções. Em um contexto extremamente competitivo, há aqueles querem
o nosso cargo na empresa; os que querem explorar a nossa família; os que
desejam desfazer o nosso casamento; os que lutam para nos tirar do caminho da
verdade, e assim por diante.
Pedro disse: “O
diabo, vosso adversário, anda em derredor, leão que ruge procurando alguém para
devorar”. (I Pe. 5:8)
Assim, o diabo está solto e feroz para desenvolver os
seus intentos malignos.
A cena colocada por Davi neste salmo é interessante.
Quando o rebanho está pastando, a ovelha com o seu
focinho metido num suculento tufo de grama e ouve o rugido do leão que está
descendo a montanha. Tudo o que essa ovelha precisa é levantar a cabeça para
certificar-se que o pastor está nas imediações; então mete novamente o focinho
na grama e continua a comer, deixando que o pastor se encarregue do leão.
Ele é a certeza da nossa vitória sobre o inimigo, na
medida em que unge a nossa cabeça com óleo e faz o nosso cálice transbordar de
segurança, de alegria, de paz e prosperidade.
3. O Cuidado Pastoral de Deus propõe nos
conduzir e nos abençoar aqui e na eternidade.
O salmo não poderia ter outro final senão este: “Bondade e misericórdia certamente me
seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor para todo o
sempre”. (vs.6)
Bondade e misericórdia são atributos que identificam
as qualidades morais de Deus.
Juntas, estas qualidades asseguram todas as ações
desse maravilhoso Pastor em favor dos homens.
A palavra certamente
é importante no texto. Davi não disse “Talvez a bondade e a misericórdia me
sigam”. Ou, “Possivelmente a bondade e a misericórdia me seguirão”.
Davi estava absolutamente seguro do caráter desse
Pastor que empenha a sua palavra e cumpre todas as suas promessas.
Tiago disse: “Deus é aquele em quem não há mudança,
nem sombra de variação” (Tg.1:17). O nosso humor pode alterar, mas o de Deus
não. Nossa mente pode mudar, mas a de Deus não. Nossa devoção pode vacilar, mas
a de Deus nunca.
Outra verdade deste texto é que a bondade e a
misericórdia de Deus vão acontecer “todos
os dias da nossa vida”.
Max Lucado, diz: “Que imensa declaração. Bondade e
misericórdia seguem todos os filhos de Deus a cada dia, e todos os dias! Pense
nos dias que virão. O que você vê? Dias em casa, com crianças apenas? Deus
estará ao seu lado. Dias em um beco sem saída? Ele o conduzirá através dele.
Dias de solidão? Ele segurará a sua mão. Não alguns, não a maioria, mas todos
os dias da minha vida”.
A outra parte do versículo diz da eternidade. A casa
de Deus é uma casa para sempre. “E
habitarei na casa do Senhor para todo o sempre” (vs.6).
Devemos viver aqui pensando e esperando pela nossa
residência eterna.
Paulo discorre acerta das lutas e dificuldades que o
cristão enfrenta neste mundo, mas ao mesmo tempo aponta para a redenção, com as
seguintes palavras: “Também gememos em
nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Rm.
8:23).
A mensagem é de esperança. E esperança é o que mais o
homem, dos nossos dias, precisa.
Para quem se deixou pastorear por esse maravilhoso e
poderoso Pastor; para aqueles que O reconheceram como Senhor e Salvador em suas
vidas, o salmo assegura que, há nos céus uma suíte agradabilíssima. Ela está
preparada por Jesus esperando por mim e por você.
Jesus assumiu a condição de pastor das nossas vidas.
O seu cuidado pastoral é extremo, ao ponto de dar a sua vida por nós. Disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. (Jo.
10:10b)
Há dois hinos cujas letras refletem muito bem a
disposição daquele que se enquadra como ovelha do Salmo 23. “Quero o Salvador
comigo, sem Jesus não posso andar”
“Com tua mão segura bem a minha, pois eu tão frágil
sou ó Salvador. Que não me atrevo a dar jamais um passo, sem teu amparo meu
Jesus Senhor.”
Seja você também uma ovelha desse maravilhoso pastor.
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