26.10.2008
O
que
esperar
de mim?
Mt.9:9-13
É muito comum o contrário. O que
esperamos de Deus:
-
Que Ele nos guarde nessa cidade violenta;
-
Que Ele nos ajude nos nossos investimentos financeiros;
-
Que Ele nos dê saúde em meio a tantas enfermidades da
humanidade;
-
Que nos dê sabedoria e boas condições para vivermos bem, e
assim por diante.
É biblicamente correto e agradável
abordarmos sobre a graça de Deus e o seu providencial favor sempre necessário à
vida.
Mas, o que Deus espera de mim? Que
expectativa o Senhor tem da minha vida?
Temos diante nós um texto muito
importante. Registra não só testemunho de conversão de um dos apóstolos à
Cristo, mas como ele se envolve em uma das tarefas mais importantes da vida
cristã – O serviço de proclamação do Evangelho.
É, pois, um texto oportuno e
necessário para refletirmos sobre a expectativa de Deus em relação às nossas
vidas.
É oportuno e necessário abordarmos
sobre este assunto, porque o cristianismo utilitarista hoje praticado, não
exige decisão, compromisso e requer que Deus e a sua Igreja correspondam as
suas expectativas.
O texto nos fala de um homem
chamado Mateus ou Levi.
Mateus era um profissional na,
digamos, receita federal da Palestina. Era um publicano. E, como sabemos, os
publicanos eram duramente criticados e rejeitados pelos judeus. Eram
considerados traidores, por ser funcionários do Império Romano. Eram vistos
como exploradores, por extorquirem os contribuintes.
Jesus surpreendeu a todos na
escolha dos seus discípulos. Convidou homens e mulheres, não olhando para a sua
cultura, posição social, profissão, religiosidade ou nível espiritual. Jesus
chamou os rejeitados, os homens que não estavam na lista dos que os religiosos
consideravam salvos.
A proposta de Jesus é de
restauração para que Mateus seja transformado em um novo homem.
E ao seu convite para essa nova
vida exigiu e exige sempre uma decisão.
Jesus espera uma
A vida exige que tomemos as mais diversas decisões.
Classificamos também o grau de importância para as decisões que tomamos. Assim,
umas são mais importantes que outras.
Uma das mais antigas discussões
entre filósofos, teólogos e psicólogos trata do problema da liberdade humana.
Sabemos que o homem pode opinar na
escolha de seu trabalho, do seu cônjuge, quanto aos seus amigos, ou o tipo de
vida que deseja.
Mas, perguntamos, o homem é livre
para escolher uma vida satisfatória?
Por acaso o homem é o “senhor de
seu destino e comandante de sua alma”?
Sabemos que as coisas não são bem
assim. O homem precisa de algo mais para se decidir firme e duradouramente.
O convite de Jesus traz em si
mesmo o importante poder de conscientização que gera o conhecimento e a
convicção plena de que Ele é o Senhor e Salvador.
As pessoas ao se encontrarem com
Jesus tomavam uma ou outra decisão: ou decidiam seguí-lo e serví-lo, ou se
tornavam as mais ferrenhas perseguidoras.
Também, o convite de Jesus ao
discipulado cristão está muito acima dos valores do legalismo, do misticismo e
do racionalismo humano.
Jesus quer de cada um dos homens
uma decisão e ela terá que ser firme e duradoura.
Pensemos naquele homem que está em
um barco, navegando lentamente à deriva para uma grande cascata. Este homem,
estando bem acordado em seu barco, não pode escapar de tomar uma decisão. É
verdade que todas as suas opções podem no final ser inúteis. Ele pode remar
doidamente e ainda assim ser levado pela corrente para a sua destruição. Pode
não fazer nada e o barco se prender a uma rocha, e conservá-lo em segurança.
Mas este homem não sabe qual a decisão adequada, e ele percebe que não fazer
nada também é uma decisão. A correnteza está levando o barco quer ele goste ou
não. Ele não pode pedir tempo para ponderar as diversas alternativas. Ele está
dentro do barco e tudo o que faz ou deixa de fazer o compromete. Não tomar uma
decisão é também uma decisão.
Qualquer pessoa como eu ou você é
tal pessoa em um barco na corrente do tempo. A corrente permanece em movimento.
Nada podemos fazer a respeito. Não podemos pará-lo.
A vida não exige apenas decisão,
mas decisão certa.
O homem não pode salvar a si
próprio. Na verdade, se ele insistir em nadar sozinho, será afogado. Ele
depende de um salva-vidas para realizar o salvamento. Muitos se afogaram porque
queriam ser salvos nos seus próprios termos, quem sabe desejaram negociar com o
salva-vidas, etc.
Possivelmente, Mateus conhecia
Jesus, seus milagres e quem sabe parte dos seus ensinos, na medida em que
freqüentava a sinagoga em que às vezes Jesus esteve.
Era alguém que precisava de uma
decisão sobre o destino da sua vida. Como ser humano, com certeza, foi muitas
vezes impedido de se posicionar favoravelmente a respeito do que conhecia sobre
Jesus.
Mas, ao convite pessoal de Jesus
não hesitou em decidir seguí-lo.
O texto nos ensina que, seguir a
Jesus requer mais que observá-lo e ouví-lo atenta e respeitosamente.
A proposta de discipulado requer
II – ENVOLVIMENTO E COMPROMISSO
A decisão de Mateus em seguir
Jesus apresentou uma resposta imediata: envolveu-se com Jesus.
Um dicionário define estar
envolvido como “ser participante, ter uma relação bem próxima, ter conexão”.
Quando nos envolvemos com alguém, temos conexão com essa pessoa. E ao fazermos
nossos planos, temos que pensar nela.
E todas as nossas atividades são
realizadas levando em consideração aquela pessoa. Essa pessoa tem participação
em nossa vida. Nós a incluímos em tudo o que nos diz respeito.
Assim, requer Jesus dos seus
seguidores: envolvimento pessoal.
A prova de que Mateus aprendeu
rápido essa lição. A sua atitude em dar um jantar ou uma festa em sua casa.
Ø
Quem ele convida para esse jantar ou festa?
Ele define a lista de convidados.
Nesta lista estão: o Senhor Jesus, seus discípulos, mas não poderiam faltar os
seus amigos publicanos, colegas da “Receita Federal da Palestina”.
Ø
Quais os propósitos desse jantar ou festa?
Mateus deseja celebrar a sua
grande conquista: a nova vida em Cristo. Para os ignorantes, poderia significar
uma opção religiosa. Mas para Mateus, o encontro com Jesus significou
possivelmente a resposta convincente para o seu questionamento sobre o sentido
da vida, a garantia da salvação e da vida eterna e a certeza da presença de
Deus em sua vida.
Mateus contraria a atitude de
muitos quando se convertem a Cristo. Via de regra, as pessoas se afastam das
pessoas com as quais se relacionaram quando ainda era considerado perdido.
Talvez para se refugiar e assim encontrar mais segurança espiritual que
beneficie o seu crescimento.
Mas, o que Mateus fez serve de
exemplo para todos nós.
Manteve relacionamento com os seus
colegas para que através do seu testemunho cristão também se convertessem.
O contrário dessa decisão e desse
envolvimento pode ser visto também no texto. Os fariseus entram em cena com a
palavra discriminação:
Em seus corações havia espaço
apenas para a religião legalista da obediência cega aos princípios e rituais.
A sua visão de salvação
restringia-se ao mero cumprimento de obrigações cerimoniais previstos pela lei.
A esses religiosos preconceituosos
Jesus citou o profeta Oséias: “Misericórdia
quero e não holocausto”(Os. 6:6)
Na verdade, o Senhor Jesus quer
muito mais:
-
Que um mero conhecimento da sua palavra. Mais que um coração
sensibilizado pela sua sabedoria
-
Que o nome no rol de membros, mais que o batismo e a pública
profissão de fé; mais que a consagração do
dízimo.
Jesus quer homens e mulheres
realmente transformados em seus seguidores, que possuam corações
misericordiosos e que estejam a serviço do bem.
Jesus quer discípulos profundamente
envolvidos, ao ponto de receberem em suas casas aqueles que precisam ouvir do
Evangelho.
Não foi este o testemunho do
próprio Jesus?
Deixando os palácios celestiais,
com o serviço e os louvores dos seus anjos, desceu até nós, assumiu a nossa
identidade para morrer e ressuscitar e assim nos prover a salvação eterna.
Mais que uma religião, Jesus
evidenciou misericórdia, para nos dar vida.
Ø
Jesus passou pelo local de serviço do Levi. Talvez o local
onde mais ele se realizasse como pecador, e a partir desse momento, a sua vida
não foi a mesma.
Jesus está
hoje aqui presente. Estamos reunidos no nome dEle. A sua graça transformadora e
salvadora está disponível a você.
O convite
é o mesmo e irresistível: “Segue-me”
Talvez
você esteja como aquele homem que está sentado em um quarto escuro, com todas
as janelas muito bem fechadas com suas trancas, exceto uma que ele tem que
segurar com a mão. Subitamente, ele não pode mais segurá-la, a veneziana se
abre pela força do vento e a luz invade o seu quarto.
Se você é como esse homem que
insiste em viver os seus projetos de vida, abra o teu coração para crer, tome a
mais importante de todas as decisões: receba Jesus como o seu Senhor e
Salvador. Ele iluminará a sua vida com a Sua Palavra de maneira a
transformá-lo.
Ø Mas se você é alguém abençoadamente
salvo pela graça de Deus, faça como Mateus: entre em contato com as pessoas com
as quais você se relacionou antes da sua conversão; fale aos seus colegas de
trabalho, escola ou de clube, sobre
Jesus. Leve essas pessoas para a sua casa, ou para um dos GOLs (Grupos Oração
nos Lares) desta igreja, ou para um dos cultos.
Seja você também um Mateus: decidido
e comprometido com Jesus e alguém que investe em apresentá-lo aos seus amigos.
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Sermão pregado no culto noturno de 26 de outubro de
2008
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