25.5.2008


UMA FESTA ESPECIAL

Lc.14:15-24

 
Reverendo Valdemar de Souza

 

Introdução

Quem não gosta de uma bela festa. Quem não aceita o convite para um bom jantar, principalmente com as pessoas que ama!

 

O brasileiro está sempre festejando alguma coisa. Aliás, dizemos em nosso país, que tudo termina em pizza.

 

Ao redor da mesa, nós nos reunimos com muitas pessoas. Com essas, estabelecemos vínculos, intercâmbios; resolvemos problemas. Ao redor da mesa tiramos as nossas dúvidas, acertamos as nossas diferenças pessoais.

 

Em se tratando de festa, o mercado é amplamente favorável a investimentos. O homem do nosso tempo gosta de festejar.

 

Além do que, o nosso sangue latino sugere encontros, abraços e beijos. Somos assim. Este é o nosso jeito de ser.

 

O povo judeu em toda a sua história e, também na época de Jesus, era dado a encontros e festas.

No Antigo Testamento havia festas de casamento, cuja duração era de aproximadamente uma semana.

 

Festejavam também quando uma criança era desmamada (Gn.21:8), nos aniversários natalícios (Gn.40:20), na chegada ou a partida de hóspedes (Gn.19:3;27:30), na tosquia das ovelhas (Dt.18:4; ISm.25:2,8,36); nos negócios do estado (II Sm.3:20; Es.1:3; Dn.5:1), nos entretenimentos diversos (Es.5:4,14; 7:2,7) e em qualquer ocasião especial (Jó 1:4,5; Is.5:12).

 

Ocorriam festas Semanais, mensais e anuais. As principais festas eram a Páscoa, das Semanas ou Pentecostes, Festas das Tendas ou Tabernáculos.

 

Mas existiam outras, como a Festa dos Pães Asmos, das Trombetas, das Luzes, Festa de Nicanor, Festa de Purim.  Festejavam também o início do ano civil e o Dia da Expiação.

 

Então havia festas para todos os gostos, em todas as épocas do ano.

  

O texto registra uma parábola contada por Jesus, no momento em que estava com os seus discípulos ao redor de uma mesa. Jesus já havia contado outra, que também falava de ceia. Naquela Jesus falou da humildade dos convidados, quando escolhessem os seus lugares e também que não devemos convidar somente os nossos amigos, mas, inclusive, os que nem conhecemos.

 

A parábola que se segue, é contada a partir de uma brilhante afirmação de um que estava com eles: “Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus”(vs15).

 

A partir dessa afirmação, Jesus aproveita a situação para transmitir a todos um grande ensinamento.

 

Nós vamos estudar esta parábola destacando três pontos:

 

I – UMA LEITURA COMENTADA DA PARÁBOLA

Fixemos os nossos olhos em algumas frases e pontos dessa parábola:

 

1. O texto fala de uma grande ceia. Um evento dessa natureza, significa por si só celebração e comunhão intensas.


2. O homem do texto preparou uma festa para muitas pessoas. Não tem sentido festa sem as pessoas. As pessoas dão o toque especial à ceia.


3. Mas, há algo estranho no ar. Os convidados recusaram os convites que lhe foram destinados. As suas desculpas não colam, não justificam:

 

 

 

4. O  dono da casa e da festa tomou uma decisão importante:

 

·             Sai depressa pelas ruas e becos da cidade.

 

·             Traga para a festa os pobres, aleijados, cegos e coxos.

 

 

5. Outro detalhe é que a casa precisa estar cheia, por isso, ordena que mandem que outros entrem e participem da ceia.

 

6. A parábola encerra com uma decisão do dono da casa e da ceia: “nenhum daqueles que recusaram o convite provará da ceia”.

 

II – A COMPREENSÃO DA PARÁBOLA

 

Como toda parábola, os recursos e personagens desta, têm uma relação direta com a história, com o mundo real.

 

a)         Desta forma, o homem da parábola que promove a ceia é o Senhor Deus.


b) A palavra “muitos” no texto significa, especialmente, o povo judeu. Jo.1:11, diz: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam”.

 

c) O convite para a ceia refere-se à oportunidade de salvação aos convidados. Esses farão parte da Nova Aliança.


     d) A recusa ao convite é a rejeição de Jesus como Senhor e Salvador e do seu plano de redenção.

 

e) Os outros que foram convidados de última hora, são os gentios.

 

f) “casa cheia”, significa que Deus quer povoar o céu com os salvos.

 

g)A declaração ao final da parábola diz respeito ao juízo de Deus sobre os que se recusarem viver nos seus santos e retos caminhos.

 

III – A APLICAÇÃO DA PARÁBOLA

 

·             Deus anseia comungar eternamente com os seus.

Ceia lembra comunhão, como uma grande festa espiritual. Na condição de criador, Deus sempre manifestou o desejo de estabelecer essa relação conosco. Ainda no Éden, Deus descia, na viração do dia, para estar com Adão e Eva. Não temos o registro do que conversavam e o que faziam. Mas, com certeza era um tempo de orientação para o primeiro casal sobre tudo o que os envolvia. Na área conjugal e familiar, ou então nas questões administrativas sobre as obras criadas. Certamente falavam sobre o futuro e tantas outras coisas.

 

Nesse tempo de comunhão com o Senhor, o primeiro casal, certamente, se sentiu seguro e feliz. O homem e Deus diariamente desfrutavam de uma maravilhosa comunhão.

 

No entanto, o pecado foi o grande responsável pelo distanciamento do ser humano de Deus.

 

O homem fez a opção pela “carreira solo” e, como escreveu o Pr.Ed René Kivtz: Houve um momento (no Éden) em que o ser humano resolveu assumir o controle do universo para governá-lo por si mesmo, deixando Deus de lado. Deus por sua vez fez valer o contrato. Dizia a cláusula de segurança que no dia em que o ser humano partisse para a “carreira solo” morreria. O advento do pecado trouxe a morte em pelo menos cinco dimensões:

 

a) Morte Física. O seu corpo é frágil e limitado;

 

b)         Morte Social. O pecado trouxe desunião, conflitos e guerras; 

 

c) Morte Existencial. O homem é medroso, sofre com a culpa e suas conseqüências;


d) Morte Cósmica. Criado para governar a criação, tornou-se um hóspede e prisioneiro do universo, colhendo assim, tragédias, enfermidades, etc.

 

e) Morte Espiritual. O pecado separou o homem de Deus e trouxe o vazio e a desordem.

 

No entanto, Deus enviou o Seu Filho para promover a grande restauração da comunhão do homem com Deus.

 

Em Jo. 17:21, encontramos Jesus orando por uma unidade entre o Pai, o Filho e todos os homens e mulheres redimidos pelo seu sangue.

 

Em Cristo, a comunhão é restaurada. A festa está garantida!

 

·             Deus não admite, em hipótese alguma, a recusa ao seu convite.

 

Todos nós encaramos a recusa de algum convite como uma atitude antipática, anti-social. Pode, dependendo do caso, resultar no estremecimento da amizade. 

 

Pois bem, a recusa consciente e determinada ao convite de Deus, significa uma afronta à sua pessoa, à sua santidade e justiça.

 

É o que Jesus chamou de pecado imperdoável, ou seja, a blasfêmia contra o Espírito Santo.

 

Diz o texto que “nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia” (vs.24).

 

·             Deus está convidando a todos para a sua ceia.

 

O verbo usado em inúmeros textos é convidar. Deus não impõe uma condição. A chamada eficaz, é na verdade, uma obra de conscientização plena do ser humano acerca da Verdade. O Espírito Santo “convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo.16:8), para que todos sejam plenamente esclarecidos.

 

O convite de Deus é para uma vida plena de gozo, aqui e, principalmente, na eternidade.

Jesus pagou um alto preço para que essa festa acontecesse. Morreu em uma cruz, sofrendo terrivelmente, para nos redimir e nos salvar.

 

A festa será as bodas do Cordeiro, quando retornar para buscar a sua Igreja.

 

Não fique fora dessa festa!

 

A parábola foi contada a partir de uma importante afirmação, feita por alguém que estava com Jesus à mesa. Disse:

 

“Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus”.

 

 
 

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