24.2.2008

 

A vida em 3 atos (2)

A OVELHA


Salmo 23

 

Rev. Valdemar de Souza

Introdução

A série de mensagens que estamos desenvolvendo tem o título: A Vida em Três Atos. A base bíblica escolhida é o Salmo 23, porque a sua proposta tem a ver com a vida humana em todos os níveis e circunstâncias.

 

Na semana passada, desenvolvemos o Primeiro Ato – A Ovelha

 

O segundo Ato refere-se ao Pastor mencionado no Salmo 23. 

 

Qual a importância de uma liderança forte sobre as nossas vidas?

 

Quem, de fato, nós escolhemos na vida para, soberanamente, dirigir os nossos passos, para ser muito mais que um tutor e um conselheiro, mas alguém suficientemente capaz de nos abençoar em todos os níveis?

 

Quem, de fato, exerce uma influência capital nas nossas decisões?

 

Estamos falando sobre isto em uma semana em que o mundo acompanha o afastamento de um líder influenciou e determinou a qualidade de vida de milhões de pessoas. Esse homem ficou no poder, liderando um povo, por 49 anos – Fidel Castro.

 

Aprendemos que no mundo os homens, por mais que influenciem as pessoas, vem e vão embora. Têm o seu momento de glória, mas convivem também com as fraquezas e limitações próprias de um ser humano que adoece, passa o cargo para outra pessoa e morre.   

 

O Salmo 23 não fala de qualquer líder pastoral, por mais competente que seja. O Pastor referido no Salmo 23 é Deus – o provedor e sustentador da vida

   

 1. O  SENHOR É:


Poderoso e Acessível

 

Max Lucado, apresenta no início do seu livro “Aliviando a Bagagem”, duas cenas interessantes.

 

A primeira, disse: “Estou a apenas a alguns passos da águia. Suas asas estão abertas, e suas garras, levantadas acima do galho. Penas brancas cobrem-lhe a cabeça, e seus olhos pretos perscrutam-me de ambos os lados de um bico dourado. A águia está tão próxima que posso tocá-la. Tão perto que posso acariciá-la. Basta inclinar-me e esticar o braço direito, e posso cobrir com a mão a crista da águia. Mas, não o faço. Não me aproximo. Por que não? Estou com medo dela?

 

A segunda, é a estátua de uma águia. A sua figura é impressionante, causa impacto. Da estante onde ela está, parece estar sempre olhando para mim. Mas, conforme Lucado: “águias artificiais são bonitas por algum tempo, logo nós nos acostumamos com elas”.

 

O salmista Davi está preocupado com o risco de eu e você cometermos o mesmo engano acerca de Deus: por um lado um deus tão poderoso e ao mesmo tempo inacessível, que não pode ser tocado, ou um deus artificial que decora a nossa espiritualidade, mas que não tem e nem exerce qualquer poder em nossa vida.

 

Davi, logo nas primeiras palavras deste salmo, quer se livrar do peso de uma divindade menor. Por isso, escreveu o Salmo 23 para edificar a nossa confiança, irrestrita e incondicional, em Deus.

 

Lucado diz que Davi usou cento e cinco palavras para explicar as duas primeiras: “O Senhor”.

 

O profeta Isaías foi usado maravilhosamente por Deus para descrever a sua  grandeza e a majestade.

 

Isaías 40:12-15 diz: “Quem mais poderia ter, na concha de suas mãos, os mares e oceanos? Quem mais seria capaz de medir, palmo a palmo, o céu tão imenso? Quem poderia medir o peso da terra, de cada montanha e de cada morro? Quem poderia orientar

o Espírito do Senhor? Quem poderia ensinar alguma coisa ou dar conselhos a Ele? Por acaso alguma vez Ele precisou de conselhos? Será que houve alguém para ensinar a Ele o certo e o direito? É claro que não! As nações da terra não são nada, comparadas a Ele; não passam de uma pequenina gota d’água num balde, de um grãozinho de pó numa balança. Ele levanta as ilhas como se fosse um cisco!”

 

O pastor a quem se refere o Salmo 23 é  o Deus Todo-poderoso Senhor.

 

O nosso Deus não pode ser confundido com um deus tão grande que temos medo e não podemos atingi-lo e tão menor que possa ser manipulável por nós.

 

O Deus a quem servimos e adoramos é um ser incriado, auto-existente, auto-suficiente, soberano, cheio de glória e poder.

 

O Deus Presente  na nossa História

 

Não obstante a grandeza, poder e majestade de Deus ser indescritíveis e até desconhecidos pelo homem, Ele se faz presente junto à obra que Ele mesmo criou.

 

Deus certamente faz um grande exercício contra a sua própria natureza, mas desce a terra e se faz presente junto aos homens.

 

O profeta Isaías mostra muito bem isto que estamos falando, nos seguintes termos:

 

“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo.

Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Is. 57:15).

 

Deus é o pastor que desceu através do seu Filho, como João escreveu:

 

“E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo.1:14).

 

2. O SENHOR É O MEU PASTOR

 

Não é apenas o pastor, mas o meu

 

O reconhecimento e o respeito pelo Jesus histórico, sem, no entanto, termos qualquer relação com a sua pessoa ou obediência aos seus ensinos, não traz qualquer bênção para a nossa vida.

 

Em outras palavras, não é suficiente que Deus seja o pastor do José ou do Antonio. O importante é que ele seja o meu pastor pessoal. Aquele que tem autoridade sobre a minha vontade, sobre a minha opinião. Que exerce uma liderança total e completa na minha vida.

 

Não sei quantos conhecem a história do Dr.Beijamim Carson. Trata-se de um dos maiores neurocirurgiões pediátricos em todo o mundo. Aliás a maior autoridade na separação de crianças siameses. Nasceu em uma família pobre. Teve que vencer muitos preconceitos, inclusive por ser negro.

 

Ben Carson, como cristão verdadeiro, testemunha em seu livro que “em geral faço quando estou diante de um novo desafio. Sempre que me deparo com uma incerteza, tanto na vida profissional quanto na pessoal; sempre que preciso de sabedoria (o que acontece com freqüência), eu oro pedindo a Deus que me oriente”.  

 

Lendo o seu livro e percebi que, não obstante Ben Carson ser uma pessoa muito famosa pela sua competência, ele tem o prazer de testemunhar o quanto Deus conduz a sua vida pessoal, profissional e familiar. Deus é o seu pastor pessoal.

 

Deus se relaciona conosco como um pastor

 

E, como pastor, Deus tem uma voz inconfundível. É uma voz doce, mansa que muitas vezes se mostra dura e disciplinadora. O pastor fala com as ovelhas e as ovelhas ouvem e obedecem a sua voz.

 

Jesus assumiu esse papel de pastor e disse:

 

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me seguem”.

“De modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos” (Jo.10:5,27).

 

As vozes do mercenário e do ladrão, por exemplo, não objetivam conduzir, proteger e apascentar, mas se constituem em vozes exploradoras.

 

O pastor conduz o rebanho com dois instrumentos: a vara e o cajado. A vara serve para corrigir a ovelha rebelde que desviou do caminho. Com o cajado ele conduz e apascenta o rebanho. 

 

“A tua vara e o teu cajado me consolam”(Sl.23:4)

 

 

3. O  SENHOR É O MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ

 

Nada me faltará – significa suficiência

 

Temos alguma dificuldade de lidar com o assunto suficiência. Principalmente nos nossos dias, o homem tem se mostrado um grande insatisfeito com o que é e com o que tem. Está sempre à procura de algo mais, não descansa, não curte e nem desfruta do que é e tem.

 

O homem será mais feliz quando valorizar a vida, o tempo, a natureza, a família, as bênçãos naturais e as sobrenaturais.

 

O homem será mais feliz quando aprender a viver e se sentir realizado com a porção diária do Senhor.

 

É exatamente isto o que o salmista Davi nos ensina. O “nada me faltará” significa suficiência prazeirosa e feliz.

 

“Nada me faltará”, significa que em hipótese alguma, em toda a nossa vida, mendigaremos o pão, mas seremos sustentados.

 

Esse pastor é o Deus provedor de todas as coisas.

 

Mas também suficiência em relação ao nosso Deus. O teólogo e escritor John MacArthur Jr., diz no seu livro “Nossa suficiência em Cristo”, que o homem em nossos dias tem se revelado um ser insatisfeito com Deus e as suas bênçãos. Tanto que tem buscado recursos alternativos para servir e adorar.

 

Cita que “um dos nomes de Deus, no Antigo Testamento, é El Shaddai, que significa ‘O

Todo-Suficiente”. Aqueles que o adoram em Espírito e em verdade descobrem que Deus satisfaz cada necessidade da vida. Não precisam de qualquer experiência suplementar, uma dose mais forte de redenção divina, ou qualquer aparato espiritual ou emocional.

 

Deus, deu a cada crente graça abundante, a qual é absolutamente suficiente para satisfazer nossos anseios mais ardentes, nossos desejos mais intensos e cada uma das nossas mais profundas necessidades”.

 

Deus é suficiente, como escreveu Paulo aos Coríntios:

 

“Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma cousa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus” (II Co. 3:5).

 

Conclusão

 

Quem Deus é para as nossas vidas? Qual a relação que estabelecemos com Ele? Que papel Deus tem nas nossas vidas, nas nossas decisões, nos nossos relacionamentos e na nossa conduta? É um papel relevante?

 

Descubra, através do Salmo 23, que a sua vida pode ser muito melhor reconhecendo o senhorio e a presença de Deus em sua vida. Aprenda a viver com a suficiência desse maravilhoso pastor. 


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