22.6.2008


O AMOR DE DEUS

Mateus 22:34-40
 
Reverendo Valdemar de Souza

 

Introdução

Desejamos ser amados e bem recebidos, principalmente por Deus. 
 
O seu amor supremo nos envolve emocional e espiritualmente. 
 
O amor de Deus é razão porque, de maneira tão segura, nós nos consideramos
eternamente salvos.
 
O amor de Deus nos protege nos momentos sombrios, dando-nos a abençoada
segurança e bem estar. 
 
Ah! Como é bom, nós nos sentirmos amados por Deus. 
 
Há textos bíblicos sobre o amor de Deus, que decoramos e citamos com extrema
facilidade. Essas mensagens nos confortam. 
 
Por Exemplo: "Deus é Amor" (I Jo.4:8,16); o célebre versículo "Deus amou o
mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo o que nele
crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo. 3:16); "Deus prova o seu amor
para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda
pecadores" (Rm 5:8). 
 
Gostamos de ler a maravilhosa declaração de Deus, registrada no livro de
Oséias: "Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor..." (Os.11:4).  
 
Mas, Jesus neste texto no ensina o contrário. O seu ensino é que devemos
amar a Deus.
 
Jesus, na verdade, responde a um intérprete da lei que o experimentava.
"Mestre, qual é o grande mandamento da lei?"
 
A resposta foi objetiva: 
 
"Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de
todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento".
 
Amar a Deus, no entendimento de Jesus, significa entregar a Ele tudo o que
somos e temos, como uma legítima expressão de louvor e adoração. 
 
No entanto, podemos assegurar que: 
 
1.     O AMOR A DEUS ENCONTRA SÉRIAS RESISTÊNCIAS 
 
Amar a Deus de coração, alma e entendimento, não é uma tarefa tão fácil
assim. 
 
Afinal, temos uma natureza pecaminosa que valoriza e busca intensamente a
satisfação própria. Somos tremendamente influenciados por uma sociedade
egoísta, que diz: "venha a mim e ao vosso reino nada".
 
Convivemos com uma sociedade utilitarista que tem um conceito de Deus como
um ser disponível para atender quando precisa. 
 
Infelizmente, as pessoas em geral praticam um evangelho humanista. 
 
Por exemplo: Alguém diz a um homem rico que ele precisa receber Jesus para
ser salvo. A sua resposta é: eu não preciso de Jesus, afinal, eu já tenho
tudo o que eu preciso. 
 
Um grupo de jovens evangeliza um homem maltrapilho, pobre, caído à beira da
calçada. A mensagem é a mesma: O senhor precisa receber e confessar a Jesus
para ser salvo. A resposta é: ora eu preciso de Jesus, tanto quanto de um
prato de sopa e de um cobertor, de uma cama, etc. 
 
O utilitarismo e o evangelho humanista causam deformações comprometedoras na
visão das pessoas acerca de Deus. 
 
O pior, quando a Igreja é influenciada pelo utilitarismo e pelo evangelho
humanista. Neste caso, o culto e o envolvimento com Deus passam a funcionar
como moedas de troca na expectativa de bênçãos. 
 
As orações são marcadas por uma lista interminável de pedidos e pouquíssimas
expressões sinceras de adoração, de amor àquele que é digno.
 
2.     O AMOR A DEUS É A ATITUDE MAIS IMPORTANTE DA FÉ CRISTÃ 
 
Não há algo mais importante no cristianismo que amar a Deus. Tudo o que
fazemos: o nosso culto, a nossa ação evangelizadora, a nossa demonstração de
fé, a nossa obediência à Palavra, e assim por diante. 
 
Devemos cultuar a Deus porque o amamos intensamente. Levamos pessoas à
Cristo porque esta é uma expressão de amor a Deus. Vivemos em total
fidelidade a Deus e à sua Palavra, porque O amamos.
 
Deus se sente louvado e adorado quando a nossa vida inteira reflete um
profundo e sincero amor a Ele. 
 
O mandamento que nos ordena a amar a Deus é definido como o principal
objetivo na vida cristã. Sobre o amor a Deus repousa toda a significação da
existência. 
 
Deus quer ser amado acima de todas as coisas que temos, sentimos, pensamos,
desejamos e produzimos na vida. 
 
Deus quer ser amado intensamente e totalmente de todo o coração, de toda a
alma e de todo o entendimento. 
 
Esta cláusula estabelecida por Jesus estabelece uma abrangência plena e
total da vida. 
 
O apóstolo Pedro, diante do tribunal eclesiástico que o perseguia disse:
"Antes importa obedecer a Deus do que aos homens". Posicionou-se desta
forma, arriscando a própria vida, por amor a Deus.
 
Certo pensador cristão por nome Buttrick, disse com muita propriedade: 
 
"Amar a Deus é o primeiro mandamento. Tal como os marinheiros encontram sua
a posição pelo firmamento e descobrem o seu posto somente quando viajam, a
nossa relação com nossos semelhantes se torna um caos, exceto quando
primeiramente amamos a Deus"(grifo meu).
 
Em outras palavras, não tem o menor sentido produzirmos um comportamento
cristão, se o mesmo não acontecer como resposta ao amor que nutrimos e
expressamos para com o Senhor Deus. 
 
3. SÓ SE PODE AMAR A DEUS QUANDO SE SENTE AMADO POR DEUS
 
O apóstolo Paulo, na Carta aos Romanos, disse algo extremamente importante:
"O amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi
outorgado" (Rm.5:5).
 
Há três pontos nas palavras de Paulo que merecem atenção: 
 
Ø O verbo "derramado" significa "despejado", ou seja, um fluxo livre, de
grande quantidade. Trata-se de uma presença impactante, irresistível e
abençoadora de Deus. 
 
Ø O tempo do verbo define uma situação estabelecida, de uma ação completada.
A idéia é que os seus leitores estarão vivendo no gozo de uma forte e
permanente certeza do amor de Deus.
 
Ø O instilar desse amor é parte do ministério normal do Espírito Santo
àqueles que o recebem, isto é, todos os que foram nascidos de novo. 
 
Só alguém que experimentou e foi inundado e transformado por esse amor, pode
amar verdadeiramente a Deus. Porque o amor de Deus nos faz entendê-lo e
aceitá-lo como ele de fato é: supremo, Todo-poderoso, entronizado entre os
querubins. 
 
Como João viu e escreveu: "Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro,
seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos"
(Ap. 5:13b). 
 
O apóstolo João disse: "Nós amamos, porque ele nos amou primeiro" (I Jo.
4:19). 
 
Conclusão
 
O salmista pergunta: "Quem mais eu tenho no céu?" E responde com firmeza e
objetividade: "Não há outro em quem eu me compraza na terra".
 
Bernardo de Claraval, monge francês do séc.XII, em um dos seus trabalhos
publicados, fez uma pergunta e deu uma resposta: "Por que devemos amar a
Deus? Porque Ele é Deus.  
 
A sua vida, em todas as áreas, expressa de fato o amor a Deus?
 
Você tem feito orações exclusivamente de adoração a Deus? 
 
Você já cantou declarando o seu amor a Deus, independente de alguma bênção
pedida ou recebida? 
 
Você já viveu a gloriosa experiência de olhar para a natureza, ou para o
infinito e ter dito sinceramente a Deus: Eu te amo? 
 
Querido irmão, permita que o Espírito Santo inunde o seu coração desse
maravilhoso amor. Consagre a tua vida a Deus, para que a mesma seja neste
mundo uma verdadeira declaração de amor a Ele. 
 
O grande músico evangélico Sérgio Pimenta, falecido ainda jovem, compôs a
seguinte letra:
 
"O meu louvor é fruto do meu amor por ti Jesus;
 
De lábios que confessam o teu nome.
 
É fruto de tua graça e da paz que encontro em ti;
 
E, do teu Espírito que habita em mim...".
 
Ame a Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu
entendimento!

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Este sermão foi apresentado no culto matutino de 22 de junho de 2008
 

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