15.6.2008
Perseverança
na oração
Reverendo Ednilson Mariano
Quando Jesus estava na região de Tiro e Sidom, “uma mulher cananéia ... clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada” (Mt 15:22).
Esta mãe embora sendo uma gentia, expressou sua fé em Jesus de tal forma que o Mestre ficou admirado com sua declaração, ela disse: “Senhor, Filho de Davi tem compaixão da minha filha”. Com tal expressão ela estava reconhecendo que Jesus era o Salvador, o Messias Prometido. Só uma pessoa crente poderia usar palavras assim.
Todos nós por um motivo ou outro temos sido afligidos pelos
golpes mortíferos de Satanás. Algumas famílias estão sofrendo por que seus
filhos estão envolvidos com drogas, outras por um espírito de confusão...
Alguma coisa acontece na nossa vida que nos leva a procurar o socorro divino.
No texto lido, temos uma mãe que lutava dentro da sua casa com um espírito de
sensualidade e prostituição que dominava a sua filha. Essa situação levou
aquela mãe a buscar ao Senhor.
Nesta manhã quero que aprendamos que quando decidimos buscar o Senhor através
da oração temos que estar atentos a alguns detalhes.
Vejamos quais.
1. Comece a ter um hábito de
oração e esteja preparado para retaliação/ para transpor barreiras
Quando começamos uma vida de oração os inimigos do homem “O mundo, a carne
e o diabo se levantam com força total para nos desanimar. Será que você já
observou que quando dobramos os joelhos para orar o telefone toca, crianças
brigam, visita chega, cachorro late... Quando não são interrupções externas,
lidamos com um excesso de pensamentos confusos que atrapalham a nossa
concentração na oração. Tudo isso pode servir como barreira para não
conseguirmos êxito na oração. Mas podemos aprender pelo texto que existe outro
tipo de barreira que temos que transpor se de fato queremos ser vitoriosos na
oração.
O texto nos diz: “E os discípulos, aproximando-se
rogaram-lhe: despede-a, pois vem clamando atrás de nós.
Muitas vezes a maior barreira que temos que transpor na vida de oração são as
pessoas, que à semelhança dos discípulos, acham que têm certo
conhecimento de Deus.
Imagine a cena. A mulher clamando e os discípulos mandando a mulher
calar a boca. A expressão “Despede-a”,
poderia ser traduzida por Livre-se dela.
Então podemos parafrasear da seguinte forma, os discípulos
instaram com o Mestre: “Senhor, já tentamos de tudo, já gritamos, já falamos
que o Senhor não dispõe de tempo, procuramos persuadi-la de que o Seu silêncio
é a Sua resposta negativa. Mas ela não nos ouviu. Peço então que o Senhor mesmo
mande-a embora; livre-se dela. Ela não pára de nos perturbar”.
Diante deste quadro Jesus permanece indiferente às súplicas daquela mulher. Por
que faria isto? Sabemos que nosso Senhor nunca se fez de surdo diante do clamor
de qualquer pessoa que O buscasse com sinceridade.
Os discípulos interpretaram que o silêncio de Jesus já era uma recusa. E logo
criaram uma resposta, despede-a! Está perturbando nossa harmonia.
Sabemos que uma das áreas mais deficitárias dos discípulos era a oração. Mesmo
no final do ministério de Jesus, quando estavam com o mestre no Monte das
Oliveiras, no momento de maior dor de Jesus, ao invés de ficarem em oração,
eles dormiram profundamente. Por outro lado, eles eram craques em querer dar as
às pessoas respostas que o próprio Jesus não dava.
Os discípulos do mestre, por não entenderem como Jesus agia, tornaram-se experts
em mandar o povo calar a boca. Afinal de contas a mulher cananéia não se
enquadrava no perfil dos discípulos e nem na forma “crentesca”
de buscar a Jesus.
Devemos aprender uma lição: Se o Senhor não deu nenhuma resposta a
nossa oração, não devemos criar uma.
Às vezes achamos que Jesus está apenas para atender primeiramente nossos
pedidos e, qualquer outra pessoa para ser atendido por Ele deve se enquadrar em
nossa forma.
A mulher com a filha enferma persistiu em buscar a
Jesus independente das reprimendas dos discípulos.
Na oração temos que aprender que Jesus responde quando e como ele quiser.
Então, cuidado em não ser apressado e achar que tem a solução para os problemas
dos outros, e na verdade estaremos sendo barreira na vida da pessoa.
Deus não está dentro de uma caixinha. Deus é livre pra fazer como Ele quiser. O
Apóstolo Paulo disse: “Quem conheceu a mente do nosso Senhor?”.
O silêncio de Jesus não é uma recusa, mas apenas o prelúdio de uma grande
obra que Ele vai realizar na nossa vida.
O primeiro detalhe que temos que observar na vida de oração são as pessoas que acham
que têm um conhecimento de Deus, mas na verdade são barreiras que
impedem a resposta divina para aqueles que O buscam.
2. Comece a ter um
hábito de oração e esteja preparado para ser provado
A carta de Tiago no Cap. 4.2,3 Fala que muitas orações são adulteradas e não
tem o selo de qualidade divina. Servem apenas para o benefício de quem
adulterou e não para a glória do reino de Deus.
A verdade é que Jesus sabia que a história desta mulher seria contada
às gerações futuras. E por isso, provou o valor da sua fé.
PROVAÇÃO 1. Testou a tenacidade da fé daquela mulher
Jesus queria revelar uma verdade a todos que viessem a ouvi-la. Por isso Jesus
disse: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (15:24).
Em outras palavras, estava dizendo: “Vim trazer salvação aos judeus. Por que
deveria desperdiçar o evangelho deles com uma gentia?”.
Está declaração seria suficiente para muitas pessoas desanimarem e não buscar
mais a Deus através da oração. Mas aquela mulher não se moveu. ERA COMO SE
AQUELA MÃE ESTIVESSE
DIZENDO: SÓ VOU PARAR DE ORAR QUANDO RECEBER UMA RESPOSTA!
A oração deve ser vista como uma grande luta. Contra Jesus? Não! Contra
a nossa ansiedade, desânimo...
Jacó nos ensina a postura que muitas vezes é necessária para recebermos
a resposta divina.
Quantas vezes desistimos de orar? Quantas vezes nos cansamos e raciocinamos:
“Já busquei ao Senhor. Tenho orado e suplicado. Mas simplesmente não recebo
respostas”? Desisto! Basta!
Mas é exatamente nesta hora que temos de mostrar ao Senhor que estamos
dispostos a esperar o Seu mover. Custe o que custar não vou apontar o dedo no
Seu rosto e murmurar contra Ele. Mas vou adorá-lo, assim como fez aquela mãe.
“Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor socorre-me”!
Deus está provando nossa postura na oração. (Falta derramar da alma, falta
mostrarmos a Jesus que de fato cremos que só Ele é o nosso único recurso).
“Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor socorre-me!” (15:25).
Carência Espiritual
Para orarmos como convém temos que pedir ao Espírito Santo que Ele coloque em
nosso coração um sentimento constante de carência Espiritual.
Quando nos sentimos carentes de qualquer coisa procuramos ao Senhor de forma
persistente. Nos momentos de grande necessidade buscamos mais ao Senhor. Sendo
assim, devemos pedir a Deus que ele nos dê mais desse estado de espírito e
mesmo que
Ele permaneça em silêncio devemos ter uma atitude de adoração perante Ele.
“Bem-aventurado os pobres de Espírito...”.
PROVAÇÃO 2. (DIGNIDADE)
“Então, Ele, respondendo, disse: Não é bom tomar, o pão
dos filhos e lança-los aos cachorrinhos.” V.26.
Poderíamos imaginar que depois de demonstrar tamanha humilhação, Jesus iria
responder de forma positiva as súplicas daquela mulher. Mas o que vem depois é
ainda pior e difícil de entender. Uma vez mais, Jesus rejeitou o pedido da
mulher. Só que desta vez sua resposta foi ainda mais dura. “Não é bom tomar o
pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (15:26).
Havia um grande preconceito dos Judeus contra qualquer povo gentio. Os judeus
consideravam os gentios menos que cachorros aos olhos de Deus. É claro que
Jesus não aceitava isto; Ele jamais daria uma conotação de inferioridade racial
a qualquer pessoa. Mas Ele queria testar a mulher sobre o que Ela pensava sobre
Ele.
Quem ela pensa que sou? Um homem qualquer ou Deus?
Ela respondeu: “Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem
da mesa dos seus donos” (15:27). Que resposta extraordinária! Esta
mulher tão determinada não pretendia abandonar sua busca intensa por
Jesus.
Muitas vezes dizemos que cremos em Cristo, mas duvidamos do Seu caráter, das
suas intenções... Somos tomados da mesma mentalidade que os Judeus tinham
acerca de Deus quando estavam no deserto “Talvez não morremos no Egito por
falta de sepulturas”. Êxodo 14: 11,12
Desconfiamos da fidelidade divina, do Seu amor por nós e da Sua infinita
misericórdia. Desconfiamos do Seu silêncio e de que Ele nunca nos trata segundo
as nossas transgressões.
Aquela mãe ao contrário de muitos crentes que vivem anos dentro da igreja não
duvidou em nenhum momento do caráter de Jesus.
A Bíblia diz que “Deus não é o homem para que minta, nem o filho do homem
para que se arrependa”. Ele não pode ir contra o seu caráter. Pois Ele é
Deus.
Quando não entendermos o tratamento divino, por mais difícil que seja a prova e
o Seu silêncio, lembrem-se do Seu caráter. Ele sempre será amor, graça e
misericórdia. Ele nunca terá prazer na nossa dor. E ainda que pareça
indiferente aos nossos pedidos, certamente se manifestará em amor.
Conclusão:
A mulher foi elogiada pelo Senhor. Ele lhe disse: “Ó mulher, grande é a tua
fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã...”
(15:28).
Diante deste texto, há uma coisa que posso lhe assegurar: nunca teremos uma
vida de oração boa se simplesmente nos resignarmos e deixarmos os nossos
anseios ao destino.
Podemos tentar nos convencer dizendo: “Agora, só posso levar
esse assunto pela fé”. Mas isso é desculpa falsa. Só serve para nos livrar de
derramar o nosso suor espiritual, e de lutar em intercessão. Para prevalecer na
oração temos que ficar atentos a alguns detalhes:
Vamos ser tentados, vamos ser provados, mas se perseverarmos, seremos pelo
Senhor elogiados.
Que Deus encontre em nós pessoas dignas de Seus elogios.
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