14.9.2008


Aprendendo a viver

Fl.1:12-18, 21; 3:14; 4:10-13
 
Reverendo Valdemar de Souza

 

Introdução

 

O que você almeja fazer antes de morrer? Quais são os sonhos e projetos pontuais, mais importantes, que você espera concretizar antes de passar desta para uma melhor? Concluir um curso? Adquirir aquela tão sonhada propriedade? Fazer uma viagem? Reencontrar alguém? Pular de pára-quedas? Há algo que você gostaria de fazer antes de morrer?

 

O publicitário e escritor norte-americano Dave Freeman escreveu um livro há alguns anos atrás, com o título “Cem coisas para fazer antes de morrer”. Foi um livro muito lido e consumido, principalmente nos Estados Unidos. No mês passado, aos 47 anos, o escritor Dave Freeman morreu. Sabe como? Dentro de casa, quando se dirigia de um quarto para outro. Tropeçou, bateu a cabeça e morreu. Fatalismo? Creio que chegou o seu dia. Concretizou os seus sonhos e projetos? Fez as cem coisas que julgou importante? Não sabemos.

 

Queridos irmãos e irmãs:

 

Desejo refletir com vocês sobre a vida humana, na perspectiva de um grande e maravilhoso projeto de Deus a ser desenvolvido em cada um de nós.

 

Há coisas que julgamos importantes, prioritárias ou necessárias e que devem acontecer em nossas vidas. E, via de regra, submetemos essas coisas importantes, prioritárias e necessárias ao crivo do nosso entendimento, ao crivo dos nossos desejos. Estas coisas precisam estar coerentes com a nossa visão de vida e com os nossos princípios e valores.

 

A Bíblia nos apresenta diversos homens e mulheres referenciais. Homens e mulheres que muito nos ensinam com os seus testemunhos de vida. Um desses é o apóstolo Paulo. Há muito que aprender com esse grande homem da história bíblica.

 

O apóstolo Paulo menciona neste texto, mais do que a sua percepção da vida, as expectativas que tinha da sua existência neste mundo. Paulo testemunha a sua relação com a vida.

 

Paulo nos ensina como devemos nos posicionar e como devemos agir e reagir diante das necessidades, mesmo as mais básicas. 

 

·        Quando escreve esta carta, Paulo está preso, portanto, limitado. Não pode ir e vir livremente.

 

·        Paulo é alguém com muita experiência na vida. Homem culto e de boa formação intelectual. De fariseu perseguidor dos cristãos, foi transformado em um determinado e consagrado discípulo de Jesus. Realizou 4 viagens missionárias, através das quais plantou diversas Igrejas. Testemunhou da Verdade a homens de diversas classes sociais, políticas e econômicas. Sem dúvida um homem com muita experiência de vida.  

 

 

·        Paulo tem aspirações e desejos. Diz nas suas cartas sobre muitas coisas que gostaria de fazer. Todas, no entanto, relacionadas à pregação do Evangelho e a comunhão com os irmãos, seus filhos espirituais.  Paulo nos ensina que a vida deve necessariamente passar pelo crivo da vontade de Deus.

 

Paulo oferece algumas dicas que nos ensinam a viver melhor:

 

1. Em vez de sentar e lamentar as adversidades, nós devemos
lutar com determinação, fazendo bom uso das oportunidades

 

Paulo ensina que não devemos nos deixar derrotar pelas circunstâncias, crendo que a nossa existência neste mundo atende a um projeto muito maior.

 

Paulo está preso. Cometeu algum crime? Não.  Ao contrário, desde a sua conversão ao Evangelho de Jesus Cristo, foi transformado em um instrumento de bênçãos. Paulo sempre se colocou como alguém que está a serviço do bem.

 

Poderia se sentir um injustiçado, ficar choramingado pelos cantos e se alimentar da autocomiseração. No entanto, entendeu que se Deus o colocou na cadeia é porque esta seria uma grande estratégia. Havia algo a fazer estando naquelas condições. A oportunidade ali seria significativa e ele não podia perdê-la.

 

Lutou, não para provar a sua inocência, mas para tornar Deus conhecido entre as pessoas que o visitavam, entre os guardas que o prendiam. As cartas enviadas às Igrejas mostram um Paulo cumprindo uma missão muito importante. De lá ele consegue, com muita eficiência: pastorear, exortar, ensinar, animar e encorajar milhares de cristãos nos mais diversos cantos do Império Romano.

 

A declaração de Paulo: “aprendi a viver contente em toda situação: humilhado ou honrado; com abundância ou com escassez”, não o identifica como alguém que está conformado com as suas dificuldades. Não quis dizer que não havia mais jeito ou solução para a sua vida.

 

Mas, significa que Paulo atingiu um estágio muito superior de consciência da vida. A sua maturidade e intimidade com Deus o faziam ver a vida mais leve,  sem o apego aos bens materiais, mesmo os mais necessários.

 

O foco da sua vida em está colocado em outro plano. Ele tem que aproveitar o seu tempo de vida de maneira inteligente, para proclamar as boas novas do Evangelho de Jesus Cristo e produzir as boas obras entre os homens. O sentido de realização de Paulo atende a um plano muito mais elevado. Tem a ver com o cumprimento da vontade Deus, através da sua vida.

 

Há centenas de coisas que Paulo quer fazer, mesmo se permanecer limitado pelas algemas, tolhido de liberdade.

 

Paulo olha pra frente e cheio de esperança busca concretizar os seus projetos.

 

Na semana passada soube de um fato marcante neste sentido. A irmã Rosane, membro desta Igreja, disse-me que passava semanalmente em sua rua um jovem mulato, vendendo mandiocas, por nome Washington. A irmã foi comprar o produto e encomendou para a semana seguinte, além de mandioca, limões. O jovem disse: “Senhora, não vai ser possível. A partir da semana que vem estarei morando na cidade de São Carlos”. Ela perguntou: “Por que você vai mudar-se para São Carlos?” Ele respondeu: “Eu passei no vestibular e vou cursar engenharia na Universidade Federal de São Carlos”. Espantada com esta notícia “O quê? Como você conseguiu isto” Disse a Rosana, que é educadora. “É isto mesmo, eu consegui com o meu trabalho de vender mandioca pagar o cursinho e a inscrição. Por isto esta é a última semana. A partir de segunda vou residir por lá. Ainda estou trabalhando para cobrir alguns gastos dessa mudança”. A irmã, tocada com a conquista desse jovem que há anos a servia como vendedor de mandiocas entrou em sua casa, fez uma mala de roupas e de produtos de higiene pessoal, pegou um dinheiro que tinha e entregou àquele jovem, desejando-lhe sucesso.

 

A experiência do jovem Washington é emocionante e tem muito a nos ensinar.

 

Ele não ficou lamentando ter nascido em um lar com poucos recursos, para concretizar um grande sonho. Ele aproveitou, fez bom uso das oportunidades que a vida lhe deu.

 

O apóstolo Paulo fez o mesmo. As adversidades eram também meios de Deus agir em sua vida e através da sua vida.

 

Aprendemos também com o apóstolo Paulo que:

2. Em vez de reclamar, nós devemos reconhecer
os grandes feitos do Senhor e agradecê-lo

 

“Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor” É uma declaração pontual do apóstolo, que revela a sua completa satisfação com as provisões diárias de Deus.

 

Temos alguma dificuldade de lidar com o assunto chamado suficiência. Nos dias em que vivemos, o homem se mostra um ser insatisfeito com o que é e com o que tem. Estão aí as cirurgias plásticas, os grandes investimentos em bens não duráveis. O pior de tudo é quando essa busca frenética pelo fútil e o transitório se torna compulsivo. O homem não chega nem a desfrutar adequadamente com o que adquiriu. O homem, dominado pelo consumismo não descansa, está sempre atrás de algo mais.

Na verdade, o homem será feliz quando valorizar a vida, quando desfrutar adequadamente do tempo, da natureza. O homem será feliz quando viver de fato em família e valorizar as relações saudáveis. O homem será feliz quando reconhecer e agradecer as bênçãos do Senhor.

 

Paulo nos diz que devemos dar um basta nessa corrida frenética atrás de tantas coisas.

 

Devemos sim, nos alegrar sobremaneira no Senhor. Ou seja, devemos reconhecer que Deus se faz presente em nossa história, dando-nos saúde, inteligência, trabalho, oportunidades, direção e proteção.

 

A gratidão é uma das virtudes mais importantes na vida cristã. O mesmo apóstolo escreveu na carta aos Tessalonissenses: “Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (ITs. 5:18).

 

No último domingo, os irmãos em Cristo João Arthur e Darcy Souza vieram à frente e testemunharam, com muita alegria e reconhecimento, os grandes feitos do Senhor em suas vidas. Todos nós sabemos das lutas pessoais e familiares que esses irmãos estão enfrentando. No entanto, estão sinceramente agradecidos a Deus e à Igreja.

 

Conclusão

 

Não permita que as adversidades tão comuns à vida neste mundo, ganhe proporções prejudiciais e destruidoras à mesma. Procure ver e desfrutar a vida na perspectiva de Deus. Aproveite as oportunidades que Ele oferece. Tenha sempre uma palavra de reconhecimento e de gratidão a Deus. 

 

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