13.4.2008
Uma visão transformadora
(Segunda parte)
Gênesis 28.10-22
Ilustração:
Miguel
Ângelo na cidade de Florença
Chocolates
derretidos.
Por mais
destruído que Jacó estivesse ele ainda continuava sendo na essência a matéria
prima de Deus. A forma poderia estar danificada (Engano, mentira, roubo...),
mas a essência era a mesma.
A
transformação começou em Betel e continuou pelo resto da vida de Jacó.
Ele não
se tornou um Super-homem espiritual da noite para o dia, mas foi crescendo de
graça em graça. Quando olhamos para
Jacó aprendemos que transformação tem um começo, mas nos acompanha pro resto da
vida.
A visão
transformou um jovem interesseiro, sagas, oportunista, e enganador, em um líder
religioso, um patriarca... Antes era um homem que fugia de seu irmão, depois em
homem que lutou com Deus.
A visão
transformou conhecimento teórico em conhecimento experimental.
Jacó
diz: “Deus estava aqui e eu não sabia?” Por que a surpresa? O texto bíblico nos
dá uma idéia clara. O verbo saber no hebraico é “yada” e está ligado a:
Perceber e ver, Descobrir e discernir, Saber por experiência, Estar
familiarizado com...
Na
verdade Jacó não tinha tido durante o percurso da sua vida uma experiência real
com Deus. Jacó Tinha apenas um conhecimento teórico narrado verbalmente por
seus pais e avós, mas nada conhecia do Deus vivo.
Ele não
conhecia Deus pessoalmente, experimentalmente, somente em teoria. Mas, naquela
noite em sonhos, a Jacó foi revelada a tremenda visão de um Deus que nos busca
e cumpre sua Palavra.
E onde
foi esta experiência de intimidade? Em Betel, “A Casa de Deus”.
A nossa
casa é o lugar mais gostoso que podemos estar. Quando viajamos, por mais belo
que seja o lugar, chega uma hora que você quer está na sua casa, com seus
familiares... Pois é ali que você encontra intimidade. Neste pequeno texto
observamos que é na “casa” que experimentamos de intimidade.
Logo
Jacó não traduziu Betel (Casa de Deus) por acaso, mas isso fazia parte da
experiência que Jacó estava passando.
· Jacó
enquanto estava na “casa de seu pai” experimentou do engano de seu coração, da
mentira e dos conchavos com a sua mãe. E por isso fugiu de casa. Gn. 27.
· Esaú
quando soube que o pai havia abençoado seu irmão “desceu para a casa de Ismael”
e tomou uma mulher. Gn. 28.6-9
· E Jacó
recebe a visão divina “na casa de Deus”. Gn. 28.17
Deus
como um bom Pai levou Jacó para sua casa e tratou espiritualmente de suas
feridas. Enquanto Jacó na casa de seu pai tornara-se um ladrão da benção, em
Betel, ele recebe a benção de Deus e torna-se generoso. Da casa de Seu pai ele
é um fugitivo, na “Casa de Deus”, ele é achado. Na sua antiga casa Jacó engana seu pai dizendo que teve
experiências com Deus. Na casa de Deus ele ergue um altar, porque
verdadeiramente se encontrou com Deus.
Todo
crente precisa um dia deixar a sua casa e ir à casa de Deus. Não foi à-toa que
Deus levou Jacó para a Sua casa para experimentar de intimidade.
O Salmo
73 é um exemplo da necessidade de experimentarmos a presença de Deus na sua
casa para encontramos de novo a perspectiva certa sobre a vida.
· Os
versículos 2-16 - Mostram a visão errada do Salmista.
· O
verso 17 é a dobradiça do Salmo e marca a purificação da visão do salmista que
acontece dentro da casa de Deus.
· Os
versículos seguintes narram a visão corrigida do salmista sobre o fim
espiritual daquilo que ele invejava.
Precisamos
urgentemente ter experiências com o Senhor, não apenas teoria sobre Deus. É
certo que a fé é racional, mas também sobrenatural.
“J. I.
Packer em seu livro “O conhecimento de Deus” nos conta que Na idade média se
falava muito sobre Deus. Era chique estudar teologia e a nobreza pagava caro
pelo estudo de teologia. Os bispos e cardeais viajavam pelas terras da nobreza
para vender estudo de teologia. Era polido falar o teologuês.
Era fino
teologar. Havia um grande conhecimento de Deus na idade média, entretanto, foi
justamente nesse período que a idade das trevas aconteceu, quando milhares de
pessoas foram mortas numa cruzada onde os inimigos eram conquistados com o
sangue de muitos. Foi nesse período que muitos foram queimados vivos, na
chamada “santa inquisição”, outros perseguidos perderam seus bens e sua
reputação pública em nome da fé. Por quê?
Porque
havia um grande conhecimento a respeito de Deus, mas nenhum conhecimento
experimental do único e verdadeiro Deus.
As
visões atuais têm o único poder de tornar os homens admirados por outros
homens.
As
visões divinas têm o poder de levar os homens a perceber mais intimamente a
presença de Deus, a temer a Deus. Foi isso que Jacó experimentou.
Quando
falo sobre experiências espirituais gosto de lembrar da obra do pastor Loyd
Jones Sobre o “Batismo com o E.S.”
Em
Berseba a religião de Jacó não interferia no seu dia a dia. Ele sabia que ele
era um homem Pactual, mas continuava a viver uma vida de mentira.
Olhe
para Gênesis 27.20. Não havia temor nenhum em Jacó. Para conseguir seus
intentos ele mentiu usando o nome do próprio Deus.
Jacó
tinha por deus sua mãe e ele mesmo. Essa era sua religião em Berseba, “mentira
e engano” (é isso que caracteriza as religiões).
Essa é a
religião de muitos crentes. Promovem experiências mentirosas com um Deus que
eles criaram, ou vivem de experiências dos outros. Mas nunca tiveram um
encontro real com Deus. Precisamos desesperadamente pedir a Deus para que ele
levante um Esaú em nossas vidas para que saiamos de Berseba e encontremos com
Deus em Betel.
Foi num
deserto que pela primeira vez Jacó admitiu a presença de Deus na sua vida (v.
16)
· No
Livro “Caminhos do coração” o autor Ricardo Barbosa fala sobre a importância do
deserto no crescimento da vida cristã. É no deserto que encontramos
verdadeiramente a Deus. Situação incômoda. Lugar deserto, sozinho, sem rede,
sem coberta, sem cama para dormir, o travesseiro era um pedra. Como Jonas no
ventre da baleia. Dali ele fez a sua oração. Recursos humanos esgotados, hora
boa de levantar os olhos para cima. Para trás, medo; para frente, o
desconhecido; em baixo, o chão e travesseiro duro. Só resta a direção de cima.
A
experiência tocou nas emoções de Jacó – pela primeira vez ele teve uma
experiência com o “sagrado”.
· Jonh
Wesley foi um dos muitos homens de Deus que procurou ter uma experiência real
com Deus, e não apenas ter um conhecimento teórico sobre Deus.
Jacó
Disse:
· “Deus
está neste lugar e eu não sabia”...
Deus
quer também nos levar para este lugar; um lugar de mudança, de encontro, de
renovo, de esperança... Para a Sua casa. Essa casa não significa um lugar
físico, mas um encontro espiritual. Na casa de Deus não vamos ver mobílias
caras, arquitetura inovadora... Mas com certeza seremos transformados e
sairemos da casa como novos homens e mulheres. Teremos uma nova
espiritualidade, seremos mais íntimos de Deus... Esse era o propósito da visão
dada a Jacó. A visão que Deus quer nos dar e quer que busquemos consiste na
necessidade imperiosa de crescermos espiritualmente, segundo a imagem de
Cristo. Sem esse tipo de visão, qualquer indivíduo, instituição humana, ou
nação estão condenados à derrota espiritual.
Proposição:
Quando nossos sonhos se frustram Deus nos concede suas visões.
O
resultado da visão:
2. As
visões divinas nos levam á decisões práticas.
Diz o
texto que ao acordar Jacó ficou impressionado com o que viu. Ele exclamou:
“Quão temível é este lugar!” (sagrado, reverente...).
A
visitação sobrenatural do Senhor tem o poder de reorganizar, reorientar a nossa
vida em todos os sentidos. As visões de Deus não têm o intuito de nos promover
a querubins assistentes do céu. Mas a ser um cidadão celestial na terra.
O que me
chama atenção em Jacó é que ele tomou uma decisão, fez um voto, teve uma
postura espiritual no deserto. Jacó em pouco tempo tinha adquirido maturidade.
Lembremos que para um “filhinho da mamãe tomar” decisão sozinho é sempre
difícil, e Jacó com sua atitude de erguer um altar ao Senhor estava declarando
um novo relacionamento com Deus.
Eu temo
certas expressões e posturas espirituais.
Quando
eu sair deste hospital, eu vou fazer isso e isso para Deus. Quando eu tiver
dinheiro vou... Quando minha família, trabalho, meu relacionamento melhorar eu
vou...
Meu
querido, você tem que fazer voto no deserto e fazer a diferença no deserto. Foi
isso que Jacó fez: “Tendo-se levantado Jacó, cedo, de madrugada tomou a pedra
que havia posto por travesseiro, e a erigiu em coluna, sobre cujo topo entornou
azeite”.
Infelizmente
Jacó é mal interpretado pelo voto que fez. Fazer voto não sugere qualquer tipo
de atividade de barganha. Antes se refere à consagração verbalizada do ser,
serviço e posse da pessoa a Deus. Alguém, jurando a Deus, se obriga a Deus.
Quando
lemos o voto de Jacó como está exposto em nossa versão portuguesa da Bíblia, a
idéia que temos é que Jacó continua um traste. Ele fez uma barganha.
Mas
tanto o contexto, bem como a tradução do original hebraico a idéia é o
contrário. Poderíamos então ler assim: sendo esta a situação, considero as
promessas como plenamente confiáveis. Resumindo: “Sendo Deus fiel para cumprir
com as suas promessas, a única forma de agradecer é “certamente dando o dízimo”,
e não uma condição como a tradução em português quer sugerir”. O dízimo seria
um ato demonstrável de adoração; através dele, Deus seria reconhecido, honrado
e glorificado.
Jacó
levou a experiência a sério e teve uma decisão prática. Ele marcou o lugar:
(1) com
uma coluna - (v.18)
(2)
Dando nome ao lugar - (v.19)
Jacó
assumiu um compromisso com o Senhor - ele fez um voto - (vs.20-22).
Talvez
você seja um Jacó nesta noite; promoveu seus sonhos e tentou conquistá-los da
forma mais errada. Mas, “quando nossos sonhos se frustram Deus nos dá suas
visões”. Deus quer nos conceder uma visão correta do Seu caráter, uma vida não
mais de teoria e sim de experiências reais com o senhor, e em resposta a tudo
isso, você vai tomar uma decisão de mudança radical no deserto, que terá
implicações para resto da sua vida.
(Veja
também a primeira parte deste sermão)
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