11.5.2008

 

Poder, para quê?
 
Reverendo Ednilson Mariano

 

“Mas recebereis poder ao descer sobre vós O espírito Santo Deus e sereis minhas
testemunhas em Jerusalém, Judéia, Samaria e confins da terra”. (At. 1.8)
 
Ultimamente tenho orado, “Senhor, será que verdadeiramente conheço teu Santo
Espírito”? Será que verdadeiramente conheço esse incrível poder que vive em mim? Ou
será que o Espírito é só uma doutrina para mim? Estarei eu, de algum modo,
ignorando-O? Será que deixei de pedir que Ele faça por mim, o que veio fazer? 
 
O fato é que se pode ter algo muito valioso e não saber disso. E você não pode
desfrutar do que possui, porque não compreende o quão valioso é.
 
Alguns meses atrás, assisti a uma entrevista de um homem na Bahia que tinha em suas
terras muito petróleo, mas mesmo assim vivia como pobre. O fato é que, possuir
alguma coisa valiosa sem conhecimento do seu real valor, não nos tornam pessoas
ricas.
 
Assim é com o Espírito Santo. Muitos de nós vivemos na ignorância do que possuímos
do poder que reside em nós... Alguns cristãos passam a vida toda achando que têm o
Espírito Santo, contudo, não O conhecem verdadeiramente em plenitude e poder. 
 
Não estou falando sobre manifestações sobrenaturais.  Muitas vezes só conhecemos ou
só queremos conhecer o Espírito Santo nesta esfera. Mas quando lemos textos como os
de Pedro, percebemos que a obra do Espírito é muito maior; segundo ele, temos um
tesouro dentro de nós: "Pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as cousas
que conduzem à vida e à piedade" (II Pedro 1:3)
 
Às vezes me pergunto se os cristãos de hoje estão correspondendo aos crentes dos
dias de Pentecostes. Algo parece estar faltando na igreja de hoje. A igreja
primitiva verdadeiramente recebeu o Espírito Santo. Fico imaginando: o que eles
conheciam sobre o poder do Espírito que tão poucos cristãos de hoje parecem
conhecer? O que está faltando? 
 
Todos nós queremos o poder do Espírito, mas para quê?
 
A figura do casamento é usada freqüentemente nas Escrituras para representar a
relação entre Deus e seu povo. No Velho Testamento, Deus é o esposo e o povo de
Israel, a esposa. No Novo Testamento, Cristo é o noivo e a igreja, a noiva. Quando
compreendermos a riqueza desse símbolo, daremos mais importância à nossa fidelidade
no dia-a-dia. Gostaria de usar esta metáfora do casamento para ilustrar a
necessidade do poder do E.S. para uma vida espiritual plena.
 
Poder, para o quê?
 
1. Ter um relacionamento de fidelidade com Cristo
A fim de nos ajudar no entendimento da natureza da igreja, a Escritura usa uma
variedade de imagens para nos descrever a que a Igreja se assemelha. Uma metáfora de
família um tanto diferente é vista quando Paulo se refere à Igreja como a noiva de
Cristo. Ele diz que o relacionamento entre marido e esposa refere-se “a Cristo e à
igreja” (Ef 5.32); diz também que ele produziu o compromisso de noivado entre Cristo
e a igreja em Corinto e que isso relembra compromisso entre a noiva e aquele que vai
ser seu marido: “Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a
ele como uma virgem pura” (2Co 11.2).
 
O termo noiva comunica fidelidade. A noiva assumia um compromisso de fidelidade com
o noivo; entrava em uma aliança que requeria amor, lealdade e vida. O apóstolo
Paulo temia que os coríntios se desviassem do verdadeiro Cristo. Conseqüentemente,
ele usou a linguagem mais forte possível para incitá-los à constância e a pureza:
“Porque pelo zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como
virgem pura a um só esposo”(II Co. 11.2). A infidelidade de uma noiva para com o
noivo era algo impensável na cultura judaica; por isso o apóstolo ilustra a
fidelidade que a igreja com Cristo através deste exemplo.
 
Na cultura judaica as mulheres não podiam escolher com quem queriam casar; mas, por
mais absurdo que pareça, poderiam não manter sua fidelidade. Mas ser escolhida e
não ter oportunidade de escolher para as mulheres ocidentais pode parecer uma coisa
absurda. Mas ser eleita, escolhida por um homem na cultura judaica era a certeza
que a mulher desfrutaria de dignidade e sentido na vida. Era sinônimo de benção.
 
Ilustrar com a História de Eliezer buscando Rebeca. Gn. 24:52-60.
 
Assim como o servo de Abraão fez com Rebeca, Deus também fez com a Igreja.
 
Presenteou-lhe com jóias e lhe cobriu de honras. O apóstolo Paulo escreve em
Efésios nos capítulos 1 e 2 sobre as bênçãos recebidas por toda a igreja com este
relacionamento conjugal; “fomos abençoados com todas as sortes de bênçãos nas
regiões celestiais”.
 
Mas ao contrário da fidelidade demonstrada por Rebeca quando encontrou com o
Isaque. A igreja quer as bênçãos do relacionamento, mas não as implicações do
casamento com Cristo. A igreja, para cumprir sua missão e ser a Noiva de Cristo,
precisa ser santa, pura, sem mancha, refletindo a glória do Senhor.
 
O casamento judaico exemplifica a forma que Deus também se relaciona com a sua
igreja. Foi ele quem nos escolheu. Essa escolha está baseada a na Sua fidelidade e
não no nosso querer. Aleluia por isso! FOMOS ELEITOS!
 
Rebeca possuía este senso de ter sido escolhida e não questionou, mas se vestiu
para encontrar com o seu amado (Gn. 24.58-61). Infelizmente a igreja permanece
cobrindo o seu rosto para o Noivo (Gn.24.65) e se revelando para o mundo.
Nem todas as igrejas agem como Rebeca.
 
Considere as igrejas da Ásia. A congregação em Éfeso não aceitava homens maus e
mentirosos, mas abandonou o seu primeiro amor e caiu (Apocalipse 2:2-5). Em
Pérgamo, a igreja conservava o nome do Senhor e não negou a fé, mas tolerava os que
ensinavam falsas doutrinas (Apocalipse 2:13-15). A igreja de Tiatira era dedicada e
ativa em obras, mas tolerava a falsa profetisa, Jezabel (Apocalipse 2:19-20). Em
Sardes, a igreja tinha uma reputação de ser viva, mas estava morta (Apocalipse
3:1-4). A congregação de Laodicéia tornou-se morna (Apocalipse 3:15-19).
 
O livro de Apocalipse contém cartas aos anjos de sete igrejas. E se tivesse mais
uma: “Ao anjo da igreja em Campinas, o que diria esta carta”? Jesus elogiaria a
fidelidade e dedicação da igreja, ou teria uma lista de queixas? Coletivamente, a
congregação prega e pratica a verdade? Louva a Deus conforme a palavra dele?
Rejeita doutrinas falsas? É uma igreja “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante,
porém santa e sem defeito”? Antes de dar uma resposta definitiva, lembre-se de que
a igreja é composta de pessoas. Individualmente, falamos e vivemos conforme a
verdade? Somos seguidores de Cristo ou seguidores do mundo? Buscamos a prosperidade espiritual ou material? Usamos a palavra de Deus como espelho para corrigir as nossas vidas, ou imitamos o mundo? Somos santos, como Deus é santo? 
 
A postura da igreja atual muitas vezes é a mesma da história vivida por Oséias.
 
NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE PERCEBEMOS QUE O MESMO HOMEM, QUE MUITAS VEZES ELEGE, TAMBÉM SE DIVORCIA. NA HISTÓRIA DIVINA O NOIVO ABOMINA O DIVÓRCIO. “EU ODEIO O DIVÓRCIO!” Ml. 2.16.
 
Durante a história de Israel, Deus aparece como um noivo que procura restaurar a
postura adúltera da sua noiva, mas sem sucesso. Israel se vendeu e adulterou com
muitas nações. Da mesma forma na era da igreja o Senhor espera um relacionamento de
amor desta noiva com o noivo. Deus quer uma noiva santa e sem mancha. Mas como
podemos conquistar esse tipo de relacionamento? Como podemos não ser adúlteros
espirituais? 
 
O poder do Espírito Santo é a única alternativa para vivermos em uma vida de
fidelidade conjugal com Cristo. Não existe terapia, aconselhamento, oração ou jejum
que dê certo. Se não tivermos uma experiência real com o poder do Espírito Santo
tudo será em vão. Falaremos da Sua obra na vida de outros, mas nunca nas nossas
vidas. Lembraremos dos Seus atos poderosos no passado, mas nunca teremos nem um
passado, nem um presente, e muito menos, um futuro com experiências da obra que só
o Espírito Santo pode operar na vida daquele que O busca.
 
O problema da igreja atual é que ao contrário da igreja primitiva, que gastava
tempo com o Noivo (At.2.42-47), gastamos mais tempo com o amigo do noivo (Jo.
3.29). 
 
Congressos espirituais, retiros, acampamentos, programas de TV evangélicos... Tudo
isso é benção de Deus para O crente! Mas o relacionamento conjugal que Cristo
requer é algo muito mais profundo e se estabelece no íntimo. Se não tivermos um
relacionamento com o Senhor como descrito no evangelho de Mateus 6.6, como diz o
apóstolo Paulo em I Co. 13.3b: “De nada vale!”.
 
O livro de cantares ilustra várias declarações de amor da noiva para ao noivo. 
 
“Você é lindo, formoso”...
 
Nesta semana quantas vezes você parou para elogiar ao Senhor?
 
Agradecer a Deus pelos seus atos de bondade é uma obrigação! Elogia-lO demonstra
que nosso sentimento e razão estão devotados as noivo. Isso é um pequeno exemplo
que nos ajuda a perceber que a nossa língua demonstra devoção ao noivo, mas a nossa
prática é bem diferente.
 
PODER, PARA QUÊ?
 
O E.S. veio para nos dar capacidade de sermos fiéis a Deus. Ter um casamento de
verdade.


2. Poder para receber um novo nome



At. 11. 19-26 ( Noiva de Cristo)
 
Ser noiva de Cristo implica em identidade. Assim como a noiva pertence ao noivo; a
Igreja pertence a Cristo. Recebemos Seu Nome e Ele nos considera seus representantes
na terra. O casamento significa nova identidade para o marido, mas principalmente
para a mulher, pois normalmente, ela acrescentava ao seu, o nome do seu marido.
 
Semelhantemente, quando nos relacionamos com Cristo, obrigatoriamente recebemos seu
nome. Quando entramos na igreja nos tornamos o corpo de Cristo. Já não somos o que
éramos antes; tornamos-nos Cristãos, indivíduos que são identificados pela unidade
com Cristo.
 
O sobrenome é algo que revela certa importância.
 
?        Nos tempos antigos o sobrenome indicava a classe social da pessoa.
?        Os nomes para o hebreu era muito importante. Tinha um significado.
 
Hoje todo mundo quer ter um nome de destaque. Gostamos de dizer: Sabe de quem eu
sou amigo?
 
Não é sem razão que muitas famílias brigavam pelo seu nome. E muitas ficavam
arrasadas quando um membro da família jogava o nome na lama.
 
Mas na era do Espírito aprendemos que Deus só usará seus servos quando recebemos
Seu nome. O nome do noivo. 
 
Quando nos referimos aos apóstolos não dizemos: Estes nomes são demais! Mas, esses
homens foram cheios do Espírito Santo.
 
Quem eram esses homens antes do casamento espiritual. Pescadores, iletrados, homens
rudes; mas agora, com seu novo nome, homens cheios de Deus.
 
PODER, Para que?
 
Para termos novos nomes e sermos novos homens!
 
A igreja de Jerusalém podia se ufanar!
 
A igreja de Jerusalém era cheia de nomes importantes. Mas todos esses homens
ficaram conhecidos, porque receberam o nome de Cristo na sua vida.
 
A igreja de Antioquia foi formada por pessoas que não sabemos os nomes. Mas que
estavam aliançadas com Cristo. Entraram em um relacionamento verdadeiro com Cristo.
 
E por isso diz Atos 11.26 “... Em Antioquia foram os discípulos chamados primeira
vez de cristãos”.
 
PODER, PARA QUÊ?


Para receber o nome de Cristo. Para sermos representantes de Cristo aqui na terra.
Só quando recebemos o nome de Cristo é que teremos condições de fazermos e sermos
uma benção para o mundo. 
 
PODER, PARA QUÊ?
 
Conclusão:

 
O que é mais belo do que uma noiva adornada para o seu noivo? E o que mais triste
do que uma noiva que não honra o seu noivo?
 
Hoje temos o convite de Cristo para que a sua noiva, por meio do poder Espírito
Santo, volte a ter um relacionamento de fidelidade e aceite o nome de noiva de
CRISTO. 
 
O que os noivos querem encontrar em suas mulheres não é, antes de tudo, uma boa
profissional, boa dona de casa, boa mãe..., mas uma noiva fiel. Da mesma forma,
Cristo derramou do Seu Espírito sobre a igreja não apenas para que ela buscasse
falar em línguas, profetizar..., mas que ela buscasse o poder do Espírito para ser
fiel e aceitar as implicações de se ter o nome de cristão.
 
Que Deus nos ajude a descobrir e a procurar este poder.

 

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